A culpa materna pode se intensificar quando a mulher tenta atender, ao mesmo tempo, às demandas da maternidade, do trabalho e de outras áreas da vida. Quando esse sentimento se torna constante, ele pode comprometer o bem-estar emocional e contribuir para problemas como depressão e burnout materno.
A psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, explica que a culpa está relacionada à combinação entre fatores sociais, pessoais e a realidade da maternidade. A pressão cultural pode levar mulheres a se sentirem culpadas por quererem trabalhar ou por fazerem outras escolhas pessoais.
Sinais de alerta
A culpa não abordada pode evoluir para quadros de depressão. Entre os fatores que aumentam esse risco estão a sobrecarga emocional, a falta de suporte e a idealização da maternidade, especialmente durante o puerpério.
Tristeza persistente, falta de energia, dificuldade de conexão com o bebê e pensamentos negativos são sinais de que pode ser necessário procurar ajuda. A depressão pode surgir durante a gestação ou até um ano após o parto.
A psicologia perinatal oferece acompanhamento especializado para gestantes e puérperas. O atendimento pode ocorrer em sessões individuais, em grupo ou familiares, com foco nos desafios emocionais da maternidade e na prevenção de problemas mais graves.
Estratégias para lidar com a cobrança
Sentir cansaço ou frustração em algum momento não significa ser uma mãe ruim. Falar sobre essas emoções e aceitá-las pode ajudar a reduzir a culpa. Também é importante compreender que não existe uma mãe perfeita e que a maternidade possível ou suficientemente boa faz parte da realidade.
Reservar tempo para cuidar da mente e do corpo é outra medida indicada. Conversar com o obstetra pode ajudar na busca por indicações de psicólogos perinatais e em informações sobre a Lei 14.721, que garante suporte psicológico gratuito pelo SUS.
Grupos de apoio também podem fortalecer o suporte emocional e permitir a troca de experiências com outras mães. Se a culpa e a tristeza persistirem, o acompanhamento de um profissional de saúde mental pode ajudar a evitar a evolução para depressão.
A informação e o acolhimento ganham destaque durante o Setembro Amarelo, campanha brasileira de prevenção ao suicídio, período em que Rafaela Schiavo esclarece dúvidas sobre o tema e orienta sobre formas de enfrentar esses sentimentos.







