Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Bariátrica mantém papel central no tratamento da obesidade grave

Médicos afirmam que canetas podem atender parte dos pacientes, mas cirurgia continua indicada nos casos mais graves.

Bariátrica mantém papel central no tratamento da obesidade grave

A cirurgia bariátrica continua sendo a principal opção para pessoas com obesidade grave, mesmo após a chegada de medicamentos como semaglutida, tirzepatida e liraglutida. Médicos afirmam que as canetas emagrecedoras podem ajudar parte dos pacientes, mas não substituem o procedimento em todos os casos.

A biomédica Vitória Masiero, 23, começou a usar semaglutida no ano passado e perdeu cerca de 20 quilos em oito meses. O tratamento foi interrompido por causa do custo mensal, de cerca de R$ 800. Depois de recuperar parte do peso, ela retomou o plano de fazer a cirurgia bariátrica, realizada no mês passado.

“Comecei a usar a caneta porque achei que poderia me livrar da cirurgia, mas no fim acabei percebendo que o meu caso era mesmo de bariátrica”, disse Vitória. Ela começou a preparação em março deste ano.

Procedimentos em diferentes redes

Dados da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostram queda nas cirurgias realizadas por planos de saúde depois de um período de crescimento. Foram 73,6 mil procedimentos em 2023, 71,3 mil em 2024 e 62,2 mil no ano passado.

Luiz Vicente Berti, cirurgião da SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica), atribui parte da redução à chegada das canetas. Ele também relaciona o cenário às mudanças nos planos contratados pelos pacientes, que dificultaram o acesso ao procedimento.

Na modalidade particular, sem participação de planos de saúde, houve aumento de quase 36% em 2025. Foram 3,8 mil cirurgias no ano passado, contra 2,8 mil em 2024, segundo dados da SBCBM.

No SUS (Sistema Único de Saúde), foram realizadas 14 mil bariátricas em 2025, o maior número dos últimos anos. Até junho deste ano, a rede pública já havia registrado 8,1 mil procedimentos, de acordo com o Ministério da Saúde.

No sistema público, a cirurgia é indicada para pessoas com IMC (índice de massa corporal) maior ou igual a 40 ou acima de 35 quando existem comorbidades, como diabetes e hipertensão. Também é necessário ter passado por tentativa de tratamento clínico por mais de dois anos.

O Ministério da Saúde informa que a procura pelo procedimento aumentou no país. Até o momento, o SUS não incorporou nenhum tipo de caneta emagrecedora, e a bariátrica permanece como o principal tratamento contra a obesidade na rede pública.

Indicação depende do grau de obesidade

Denis Pajecki, coordenador do Departamento de Cirurgia Bariátrica da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), afirma que o custo elevado dos medicamentos ajuda a explicar o crescimento das cirurgias no SUS. Para ele, a medicação e a operação têm papéis diferentes no tratamento.

“É importante entender que as canetas são uma medicação para tratar a obesidade, e a cirurgia bariátrica é um procedimento para tratar, principalmente, o que a gente denomina de obesidade grave”, disse Pajecki.

Segundo os médicos, muitos pacientes com obesidade grave continuam chegando à cirurgia depois de tentar as canetas. Parte deles não perde o peso esperado ou recupera os quilos após interromper o uso do medicamento.

No Brasil, cerca de 25,7% da população enfrenta algum grau de obesidade, segundo o Ministério da Saúde. Apenas uma parcela, porém, apresenta obesidade grave e pode ter indicação para a bariátrica.

Pajecki avalia que as canetas não reduziram a relevância da cirurgia. O cenário, segundo ele, tende a separar melhor os pacientes: alguns respondem aos medicamentos e às mudanças de hábitos, enquanto outros não conseguem manter o tratamento ou não atingem o resultado necessário. Berti também afirma que ainda é difícil dimensionar a fila do SUS, porque muitos pacientes passam pela atenção básica, mas não chegam aos ambulatórios especializados.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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