Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Amazônia transforma silêncio, cultura e natureza em experiência de luxo

Turismo de alto padrão na floresta combina conforto, conhecimento local, sustentabilidade e contato com a natureza preservada.

Amazônia transforma silêncio, cultura e natureza em experiência de luxo

Na Amazônia, o turismo de luxo vem sendo associado menos à ostentação e mais a experiências ligadas ao silêncio, à natureza, à cultura e ao conhecimento das comunidades locais. A proposta combina hospedagem confortável, gastronomia e serviço de alto padrão com atividades que dependem da floresta e não podem ser reproduzidas da mesma maneira em outro lugar.

Para Camilla Barretto, CEO da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), o luxo passou a ser percebido de forma mais sensorial e menos material. “O luxo é indissociável da sustentabilidade”, afirma. Nesse modelo, o visitante quer saber a origem dos alimentos, a história das pessoas, os materiais usados e a forma como os produtos são feitos.

A experiência também se distancia de apresentações criadas apenas para turistas. O interesse está na vida cotidiana, na biodiversidade, na cultura e nas comunidades que fazem parte do território. Augusto Costa Filho, empresário e um dos proprietários do Anavilhanas Jungle Lodge, em Novo Airão, resume essa procura com a expressão “quiet luxury” e diz que a Amazônia reúne arquitetura, gastronomia, natureza e cultura.

Conhecimento local como parte da viagem

O contato com a floresta depende de condutores que conhecem os rios, os caminhos, os equipamentos, os roteiros e a história da região. Para Augusto, esse profissional não apenas orienta o deslocamento: ele ajuda o visitante a interpretar o que está diante dos olhos e a reconhecer os diferentes ecossistemas, histórias e saberes presentes na paisagem.

Fabiana Caricati Boaretto, empresária, esposa e sócia de Augusto, defende que a região se afaste da ideia de um luxo baseado apenas na aparência. A combinação, segundo ela, deve envolver autenticidade, conforto e qualidade no atendimento.

Inaugurado em 2007, o Anavilhanas registra uma mudança no perfil de seus hóspedes. No início, cerca de 90% eram estrangeiros e 10% brasileiros. Hoje, conforme os proprietários, a divisão é de aproximadamente 60% de estrangeiros e 40% de brasileiros. Augusto afirma que o interesse dos brasileiros pela Amazônia aumentou nos últimos anos.

Infraestrutura para moradores e visitantes

A expansão do turismo encontra obstáculos de transporte e de infraestrutura. Mais conexões aéreas poderiam facilitar a chegada de visitantes nacionais e internacionais, mas as necessidades da população local também fazem parte do debate.

Fabiana questiona como garantir o funcionamento de empreendimentos turísticos quando trabalhadores enfrentam falta de moradia digna, água encanada e tratamento de esgoto. Com apenas 25 quartos, o Anavilhanas se tornou o maior empregador privado de Novo Airão. Por isso, Augusto defende que as melhorias atendam também quem vive e trabalha na região diariamente.

A formação profissional é outro ponto citado. Ainda é necessário buscar trabalhadores de outras áreas para algumas funções que exigem inglês, mesmo quando há moradores locais preparados tecnicamente. A qualificação pode ampliar a permanência, na própria região, dos empregos de maior remuneração.

Crescimento do turismo

O Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, alta de 37,1% em relação ao ano anterior. Os gastos de estrangeiros chegaram a US$ 7,9 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, foram registradas 3,74 milhões de chegadas internacionais.

No Amazonas, 88.869 turistas estrangeiros visitaram o estado em 2025, crescimento de 38% sobre 2024. Entre janeiro e março de 2026, o desembarque de passageiros internacionais no Aeroporto Eduardo Gomes, em Manaus, aumentou 14,84%.

A realização da COP30 em Belém, em 2025, ampliou a exposição internacional da Amazônia. O desafio é converter essa atenção em fluxo contínuo sem criar um turismo de massa que comprometa os mesmos atributos procurados pelos visitantes.

Estratégia para manter o interesse

A Embratur afirma que pretende transformar a visibilidade da COP30 em movimento turístico permanente. Leonardo Persi, coordenador de Segmentos Turísticos da agência, cita como prioridades a ampliação da conectividade internacional, o fortalecimento do turismo de natureza e a divulgação conjunta dos sete estados da Região Norte.

Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Colômbia e Peru estão entre os mercados considerados relevantes para viagens ligadas à natureza na região. Para a Embratur, a Amazônia tem potencial no segmento de alto padrão por reunir autenticidade, exclusividade, privacidade, silêncio e contato com áreas preservadas.

A expansão, porém, depende de fazer com que a atividade gere renda para os moradores e contribua para conservar a floresta. Nesse modelo, o valor da viagem está justamente em acessar uma experiência ligada ao território, sem transformar sua identidade em produto replicável.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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