Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Bain e Advent negociam compra integral da Amil por até R$ 16 bilhões

Júnior aceitou vender toda a operadora, mas a transação ainda depende de uma reunião e pode não ser concluída.

Bain e Advent negociam compra integral da Amil por até R$ 16 bilhões

A Bain Capital e a Advent avançaram nas negociações para comprar 100% da Amil do empresário José Seripieri Filho, conhecido como Júnior. O negócio é estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 16 bilhões, mas ainda não foi concluído e depende de uma reunião marcada para esta quarta-feira (10).

Júnior aceitou retirar a principal condição apresentada pelos fundos para seguir com a operação. Ainda existe, porém, a possibilidade de desistência na última hora. Uma carta aos funcionários da Amil está sendo preparada, mas o conteúdo ainda não foi definido.

Passivos e estrutura da operação

A principal questão das últimas semanas envolve garantias sobre possíveis passivos futuros. Júnior comprou a Amil da UnitedHealth Group (UHG) em dezembro de 2023, por R$ 11 bilhões, em uma operação que incluiu todos os riscos herdados. Desse valor, R$ 9 bilhões correspondiam a possíveis passivos relacionados a ações judiciais.

Bain e Advent pretendem dividir a operadora igualmente, com 50% para cada gestora, mas não querem repetir esse modelo. A auditoria detalhada dos números e dos riscos da companhia já foi concluída. O ponto central passou a ser a garantia de que Júnior não apresentará novas exigências depois de um eventual acordo.

O valor discutido também mudou ao longo das negociações. Em conversas anteriores, a Amil chegou a ser avaliada em cerca de R$ 17 bilhões. O intervalo atual considera discussões sobre preço, capital de giro e a estrutura da transação. Bradesco e Santander estão entre os bancos cotados para financiar a compra. O Citi informou que não participará do financiamento.

Tamanho e desafios da Amil

A operadora reúne cerca de 5,4 milhões de beneficiários de planos médicos e odontológicos, o equivalente a perto de 6% do mercado. A rede inclui 31 hospitais e 28 clínicas, e o faturamento fica em torno de R$ 26 bilhões.

A companhia também acumulou perdas durante anos na carteira de planos individuais, que reúne cerca de 340 mil contratos. Em 2022, ainda sob a UHG, a Amil tentou transferir essa carteira para a Fiord Capital por cerca de R$ 2,3 bilhões, mas a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vetou a operação por considerá-la prejudicial aos beneficiários.

A negociação pelos fundos é conduzida por Irlau Machado, Marcelo Marques e Nilo Carvalho, executivos que passaram pela NotreDame Intermédica. A operadora foi comprada pela Bain em 2014 e depois vendida à Hapvida. Caso a transação seja concluída, o trio deverá assumir a gestão da Amil.

A Bain já havia disputado a compra da Amil com Júnior em 2023 e voltou a avaliar a companhia em 2024 e 2025. A atual negociação ocorre em conjunto com a Advent, que já foi acionista do Fleury e é sócia relevante da Natura.

Resultados recentes

Dos R$ 11 bilhões pagos por Júnior em 2023, cerca de R$ 2 bilhões foram capital próprio. O restante correspondeu à assunção de dívidas. Com a reestruturação da operação, o empresário teria recuperado o valor investido.

A Amil voltou a registrar lucro depois de uma década de prejuízos sob a UHG. No ano passado, o lucro líquido foi de R$ 5,4 bilhões. Desse total, R$ 2,1 bilhões vieram de crédito tributário e R$ 1,4 bilhão, de um ganho contábil na joint venture hospitalar com a Dasa. O resultado operacional foi de R$ 1,9 bilhão.

Em 2024, a companhia também teve um efeito positivo de R$ 1,2 bilhão com a reversão de uma reserva exigida pela ANS. A mudança dispensou a necessidade de manter esse lastro para planos cuja mensalidade era inferior às despesas médicas.

As tratativas preveem ainda que Júnior fique com imóveis de hospitais e os alugue novamente à Amil, em um modelo de venda do imóvel com locação de volta. O empresário desejava manter uma participação minoritária para participar de uma futura abertura de capital, modelo que já utilizou na Qualicorp.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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