A execução de um exercício pode revelar uma diferença entre os lados do corpo que não aparece nas atividades comuns. Quando isso acontece, aumentar a carga para tentar igualar rapidamente a força pode piorar o padrão do movimento e reforçar compensações, explica o fisioterapeuta Matheus Teixeira dos Santos, professor da Faculdade Anhanguera.
“É natural termos um lado dominante e utilizá-lo com mais frequência em atividades do dia a dia”, afirma o especialista. A preferência por um lado, como ocorre com pessoas destras ou canhotas, pode fazer com que alguns músculos sejam mais recrutados nas tarefas cotidianas e esportivas.
O que pode influenciar a diferença
A dominância não é a única explicação possível. Experiências esportivas anteriores, histórico de lesões, períodos de imobilização, características individuais e a forma de executar determinados movimentos também podem contribuir para diferenças de força e coordenação.
Exercícios feitos com um lado por vez, para braços ou pernas, ajudam a identificar alterações que podem passar despercebidas em movimentos realizados simultaneamente pelos dois lados. Nessa prática, a prioridade deve ser a execução correta, e não o aumento da carga do lado considerado mais fraco.
Sinais de compensação
Para concluir um movimento, o corpo pode adotar outras estratégias quando há uma diferença relevante. Inclinar o tronco, mudar a posição do quadril ou sobrecarregar outra articulação estão entre os exemplos observados durante o treino.
De acordo com Matheus Teixeira dos Santos, modificar muito a execução ou apresentar dificuldade significativamente maior de um lado é motivo para investigar a causa. “Aumentar peso sem corrigir o padrão pode reforçar essas compensações”, orienta.
Quando buscar avaliação
Diferenças discretas não indicam necessariamente um problema. Já dor, perda repentina de força, limitação de movimento, instabilidade frequente ou uma assimetria que atrapalha as atividades do dia a dia merecem atenção.
Nessas situações, a avaliação de um profissional pode ajudar a identificar a origem da diferença e orientar os exercícios conforme as necessidades individuais. O objetivo não precisa ser uma simetria perfeita, mas uma evolução segura, com respeito às características de cada pessoa e sem compensações que possam causar sobrecarga.







