Um estudo com 876 mil adultos identificou uma taxa 48% maior de distúrbios de olfato e paladar entre usuários de agonistas do GLP-1, em comparação com pessoas que não utilizavam esses medicamentos. Nas alterações ligadas especificamente ao cheiro, a diferença chegou a 81%.
A pesquisa, intitulada Smell and taste disturbances among glucagon-like peptide-1 agonist users, analisou o uso de medicamentos como semaglutida e tirzepatida. Os resultados ajudam a explicar por que possíveis mudanças no olfato e no paladar vêm sendo investigadas, mas não comprovam que esses remédios provoquem maior interesse por perfumes.
O que ainda não foi comprovado
Nas redes sociais, usuários desses medicamentos relatam uma atenção maior a fragrâncias e compras de perfumes. Em um vídeo publicado pelo nutricionista Matheus Alvarenga, seguidores descreveram comportamentos semelhantes, incluindo o desejo de adquirir vários produtos.
A psicóloga Marcelle Passarinho afirma que não há evidência científica de uma relação direta entre o tratamento e essa mudança de interesse. Para ela, os agonistas do GLP-1 também podem interferir em circuitos cerebrais ligados à motivação e à recompensa, além da fome. “Mas, até o momento, não temos evidência científica de que isso faça o cérebro automaticamente procurar um substituto”, disse.
A alimentação envolve prazer, memória, hábito e regulação emocional, segundo Marcelle, que atua no Hospital Santa Lúcia. Com uma possível mudança no valor atribuído a determinados estímulos, outros itens podem ganhar espaço na rotina. Isso, porém, não significa que o cérebro deixe de sentir prazer.
A especialista ressalta que o interesse por perfumes deve ser tratado como hipótese comportamental, e não como efeito conhecido dos medicamentos. Embora existam relatos parecidos entre usuários, ainda não há comprovação robusta de que o consumo de fragrâncias seja consequência direta do uso dos agonistas do GLP-1.







