BELÉM — As altas temperaturas do verão amazônico têm aumentado o movimento nas sorveterias de Belém, especialmente na procura por sabores feitos com ingredientes regionais. Em alguns estabelecimentos, essas opções representam 70% do faturamento e também movimentam produtores de frutas típicas do Pará. O cenário é destacado nesta quarta-feira (23), data em que é celebrado o Dia do Sorvete.
Armando Laiun, responsável por uma rede de sorveterias na capital, afirma que a procura cresce conforme as temperaturas sobem. Para ele, o período entre setembro a dezembro concentra parte dos melhores resultados do setor. O empresário também relaciona o desempenho ao fluxo de turistas e ao interesse dos próprios paraenses pelos sabores locais.
Entre as opções mais procuradas, Laiun cita farinha de tapioca, tapioca, bacuri e açaí. A lista inclui ainda o carimbó, sabor autoral da rede. De acordo com o empresário, a demanda beneficia tanto as sorveterias quanto os produtores de frutas regionais.
“Os sabores regionais representam um aumento de 70% no faturamento”, afirma Laiun. Ele também destaca que ingredientes como o açaí e a castanha-do-pará ajudam a diferenciar os produtos e a movimentar a economia local.
A empreendedora Larissa Valério, que administra uma sorveteria em Belém, aponta tucumã, uxi e paraense entre os sabores tipicamente paraenses oferecidos aos clientes. Ela observa que produtos conhecidos em outros estados, como açaí, cupuaçu e tapioca, apresentam características próprias quando produzidos no Pará.
Movimento maior no segundo semestre
Segundo Larissa, as vendas aumentam cerca de 15% no segundo semestre, quando as temperaturas ficam mais altas. Ela também destaca o período do Círio, quando Belém recebe turistas de outros estados e visitantes de outras cidades do Pará.
A empreendedora afirma que a gastronomia paraense tem atraído atenção e que os sorvetes passaram a integrar a rota turística gastronômica do estado. Além de açaí e tapioca, sabores com geleia de cupuaçu, como Maria Isabel e carimbó, estão entre os procurados por visitantes.
A busca pelos sabores regionais também aparece entre os consumidores que vivem na capital. A estudante de Psicologia Elisângela Costa, natural do Ceará e moradora de Belém há mais de 20 anos, conta que passou a experimentar diferentes opções depois de consumir por muito tempo apenas o sabor paraense. Para ela, os ingredientes cultivados na região tornam a experiência diferente.
O gestor público e ex-atleta Zé Augusto afirma que costuma escolher açaí, cupuaçu, taperebá, tapioca e bacuri. Ele considera que, além do sabor dos frutos, a qualidade e a forma de preparo influenciam o resultado final do sorvete.







