BELÉM — A chegada de carros chineses mais tecnológicos e competitivos aumentou a pressão sobre os preços dos veículos seminovos na capital paraense. Com maior oferta de modelos eletrificados, os carros novos passaram a disputar consumidores que antes buscavam veículos usados, principalmente no segmento de SUVs.
Revendedores estimam que a desvalorização dos seminovos em Belém variou, em média, de 10% a 15% nos últimos quatro meses. O resultado depende de fatores como modelo, ano, versão e quilometragem. Um veículo negociado por cerca de R$ 80 mil pode ser encontrado atualmente entre R$ 60 mil e R$ 70 mil.
Queda também aparece nos dados nacionais
A Auto Avaliar informou, em setembro, que os preços efetivamente negociados entre lojistas para veículos com até três anos de uso recuaram 9,3% entre janeiro e junho de 2026. No mesmo período, a tabela Fipe, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, caiu 2,4%.
Dados da Bright Consulting, divulgados em julho, indicaram que os carros novos tiveram alta inferior à inflação em 2026, pela primeira vez em seis anos. Quando o efeito da inflação é considerado, o preço dos veículos zero quilômetro ficou 1,5% menor no ano.
SUVs enfrentam maior concorrência
Os SUVs acima de R$ 100 mil estão entre os mais afetados, segundo os revendedores. Aldo Oliveira, presidente da Associação dos Revendedores de Veículos do Estado do Pará (Assovepa), disse que a mudança ganhou força a partir do início do ano.
“De janeiro pra cá, intensificou mais os carros elétricos. A chegada, na realidade, é a chegada do carro elétrico”, afirmou Oliveira.
Na avaliação dele, um consumidor diante de um SUV seminovo de R$ 100 mil pode considerar um elétrico novo por cerca de R$ 120 mil, dependendo da oferta. Tecnologia e equipamentos entram nessa comparação. Oliveira estima que a depreciação dos SUVs seminovos esteja entre 20% e 30% nas avaliações.
Um carro que custava R$ 80 mil pode valer hoje entre R$ 60 mil e R$ 65 mil, segundo o representante do setor. Miller Duarte, proprietário de uma loja de seminovos no bairro do Umarizal, calcula uma faixa de R$ 65 mil a R$ 70 mil para o mesmo veículo e aponta redução média entre 10% e 15%.
Juros influenciam as vendas
Além da concorrência com os modelos novos, os revendedores citam as taxas de juros e o endividamento das famílias como obstáculos. Oliveira afirma que as vendas estão baixas, embora não tenham sido interrompidas em relação ao mês anterior.
As lojas também passaram a destacar procedência, conservação, garantia e segurança. A revenda de Duarte trabalha, segundo ele, com veículos revisados, vistoria cautelar, garantia e transparência na negociação. Para os profissionais, a combinação entre preço, tecnologia e confiança passou a pesar mais na escolha do consumidor.







