BELÉM — O Pix e os cartões se tornaram as formas mais usadas por muitos consumidores no Complexo do Ver-o-Peso, mas o dinheiro em espécie ainda representa uma parcela importante das vendas. Entre os comerciantes, a participação dos pagamentos digitais varia conforme o público e o tipo de negócio. A falta de troco, principalmente para notas de valor alto, aparece como uma das principais dificuldades da mudança.
Aroldo Moraes, que vende alho, colorau e pimenta, afirma que entre 70% e 80% dos pagamentos recebidos são feitos por Pix. O cartão também é utilizado pelos clientes, enquanto as cédulas circulam menos. “Hoje, para dizer a verdade, 70%, 80% é Pix”, relata.
Falta de troco muda a rotina
A redução da quantidade de dinheiro físico disponível afeta o atendimento quando o consumidor paga com uma nota alta. Como recebe mais pagamentos por Pix e cartão, Aroldo diz que frequentemente fica sem trocado e precisa recorrer a outros feirantes para conseguir devolver o valor correto.
Márcia Silva, vendedora de tucupi, molhos de pimenta, cachaça de jambu e licores artesanais, também identifica o Pix e o cartão como as opções preferidas dos clientes. Ela, porém, diz que prefere receber em espécie. Considerando cada R$ 100 vendidos, Márcia afirma que cerca de metade da receita vem do dinheiro físico: “Em dinheiro vem R$ 50, no máximo R$ 50, R$ 60”.
A comerciante também enfrenta dificuldade para obter moedas e notas de pequeno valor. Quando precisa dar troco, busca ajuda com conhecidos, já que muitos consumidores não levam dinheiro físico.
Perfil do cliente influencia pagamento
A experiência de Rafael Santos é diferente. Segundo o feirante, aproximadamente 80% dos pagamentos que recebe ainda são feitos em dinheiro. Ele afirma que a cédula predomina nas compras realizadas no dia a dia da feira.
Os clientes que compram mercadorias para pagar semanal ou quinzenalmente costumam usar Pix. Para Rafael, o dinheiro físico continua mais presente nas feiras do que em outros segmentos do comércio de Belém.
A falta de troco também faz parte da rotina do vendedor. Para reduzir a necessidade de devolver valores baixos, ele oferece pequenos produtos quando a diferença é de R$ 1 ou R$ 2. A estratégia ajuda a lidar com a menor disponibilidade de moedas e notas de pequeno valor.







