MONTES CLAROS — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou que o governo brasileiro tenha discutido com os Estados Unidos uma exigência para que os americanos tivessem conhecimento prévio sobre a venda de ativos de mineração, incluindo minerais críticos. A condição estaria relacionada à negociação de um acordo sobre o tarifaço.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, nesta quinta-feira, 17, Lula disse que a proposta apresentada pelos Estados Unidos é antiga e não foi considerada pelo governo. De acordo com o presidente, o documento foi recebido anteriormente e recusado por prever prioridade de outro país sobre os recursos minerais brasileiros.
“Esse documento que foi publicado hoje quinta-feira é um documento velho, que já estava no nosso arquivo morto”, afirmou Lula. Ele também declarou que a proposta não foi discutida e não será analisada pelo governo.
O presidente disse não compreender por que o documento foi revelado no dia seguinte à sanção da lei que estabelece a política nacional para a exploração dos minerais críticos. Na entrevista, voltou a defender que o beneficiamento desses recursos seja realizado no Brasil.
Lula afirmou que a regulamentação não impede a participação de empresas estrangeiras, mas condiciona os investimentos à transformação dos recursos no país. A intenção, segundo ele, é exportar produtos com valor agregado, e não apenas minério.
“Na regulação, a gente não está proibindo a participação de empresas estrangeiras”, disse o presidente. A declaração ocorreu após a divulgação de detalhes da primeira proposta de acordo americana, apresentada em 16 de outubro de 2025.
O documento previa exigências relacionadas à liberdade de expressão e à aplicação, em território brasileiro, de sanções financeiras determinadas pelo Tesouro americano. Também detalhava vantagens pretendidas pelos Estados Unidos no setor de minerais críticos do Brasil e em outros segmentos econômicos.







