Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Justiça inglesa analisará troca de escritórios no caso da barragem de Mariana

Comitê de Clientes escolheu o Bailey Glasser International para substituir o Pogust Goodhead na representação dos atingidos.

Justiça inglesa analisará troca de escritórios no caso da barragem de Mariana

A Justiça inglesa vai decidir, nos dias 5 e 6 de outubro, qual escritório poderá representar integralmente os 420 mil atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, em 2015. A disputa envolve o Pogust Goodhead (PG), atual representante, e o Bailey Glasser International (BGI), escolhido para assumir o caso.

Em agosto, o Comitê de Clientes, formado por 17 representantes dos atingidos, aprovou por unanimidade a substituição do PG pelo BGI. Em nota, o BGI afirmou que a decisão ocorreu após a suposta identificação de “uma série de falhas relacionadas à gestão do processo e à comunicação com clientes e advogados parceiros”.

Disputa sobre a representação

No último dia 2, o PG acionou a Justiça inglesa contra o Comitê de Clientes. O escritório questiona a autoridade do grupo para romper o contrato com os demais atingidos. Para o PG, o comitê pode tratar de questões processuais, mas não encerrar o acordo de representação.

O BGI contesta essa interpretação e afirma que o PG já recorreu ao comitê em outras situações. “O escritório passa agora a contestar, na Justiça inglesa, a mesma autoridade que reconheceu ao colegiado desde sua criação”, declarou o BGI.

Uma decisão da Justiça inglesa, enviada pelo PG ontem, mantém o escritório na representação do conjunto geral de atingidos até que o tema seja analisado em outubro. A representação dos 17 integrantes do Comitê de Clientes, porém, já passou para o BGI, que informou também estar recebendo as notificações do processo.

Remuneração e andamento da ação

Os detalhes do contrato entre os escritórios não foram divulgados, mas a disputa pode afetar a remuneração relacionada à ação. O advogado especialista em Direito Ambiental e Internacional Rhiani Riani afirmou que, em geral, os escritórios recebem depois de uma vitória e que a troca pode colocar em risco o retorno dos investimentos feitos pelo PG durante o período de representação.

A BHP Billiton, sócia da Samarco, foi condenada em novembro de 2025 pela Justiça inglesa pelo desastre. Em novembro de 2015, cerca de 40 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro e sílica atingiram o Rio Doce. O rompimento deixou 19 mortes e destruiu completamente os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo.

Em maio, o Tribunal de Apelação da Inglaterra rejeitou pela segunda vez uma tentativa da BHP de recorrer da condenação. Com isso, foi mantida a Fase 2 do processo, que analisa as categorias de perdas e as provas para quantificar os danos e definir os valores de indenização. A audiência dessa etapa está prevista para abril de 2027.

Procuradas sobre a disputa entre os escritórios, BHP e Samarco informaram que não vão se manifestar. A Samarco reiterou o cumprimento das obrigações previstas no Novo Acordo do Rio Doce.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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