Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
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Justiça considera válido bloqueio de motorista da Uber por cancelamentos

Tribunal de Justiça da Bahia manteve o descredenciamento após identificar cancelamento de 64% das corridas aceitas.

Justiça considera válido bloqueio de motorista da Uber por cancelamentos

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) considerou legítimo o descredenciamento de um motorista da Uber que cancelava 64% das corridas aceitas. A decisão, tomada pela 2ª Câmara Cível, entendeu que houve descumprimento de deveres previstos no contrato com a plataforma.

O motorista havia vencido o processo em 1ª instância. Ele alegou que a conta foi desativada sem comunicação prévia nem oportunidade de defesa. Também afirmou que a medida, aplicada em dezembro de 2024, interrompeu sua única fonte de renda mensal, de R$ 5.300 obtidos com o aplicativo.

Na decisão inicial, a Uber foi condenada a pagar R$ 26 mil por danos materiais e R$ 10 mil por danos morais. Também foi estabelecida uma multa por cada dia em que a conta permanecesse desativada.

A empresa recorreu, e o TJ-BA reverteu o entendimento. O tribunal considerou válidos os documentos apresentados pela Uber e concluiu que o motorista teve oportunidades para se defender. Com isso, rejeitou os pedidos de indenização e avaliou que o volume de cancelamentos caracterizou violação contratual.

O que a decisão representa

A decisão não obriga outros tribunais a seguir o mesmo entendimento. Para o advogado trabalhista Guilherme Machado, porém, ela pode servir de orientação em processos semelhantes.

A Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo (Sindimapes) concorda com o descredenciamento quando o motorista aceita as corridas e depois cancela reiteradamente. O presidente da entidade, Luiz Fernando Muller, diferencia essa situação daquela em que o profissional simplesmente não aceita uma viagem: “Se o motorista não aceitar a corrida, discordamos de seu bloqueio ou desativação de conta. Mas, se o motorista aceitou as corridas e cancelou 64%, é justificável”.

A entidade, no entanto, afirma que muitas desativações ocorrem sem justificativa ou aviso. Muller também classifica como injustificável a maioria dos banimentos e diz que recebe relatos de motoristas no Espírito Santo.

Regras e contestação do bloqueio

A análise da legalidade depende das circunstâncias de cada caso. Segundo o advogado Josmar Pagotto, a plataforma pode estabelecer regras mínimas de funcionamento e qualidade, desde que existam critérios objetivos e previsão nos termos de uso.

O cancelamento repetido depois da aceitação pode afetar a expectativa do passageiro, o tempo de espera e o funcionamento do sistema. Já a simples recusa de uma corrida está ligada à autonomia do motorista.

Um bloqueio pode ser questionado quando não há motivo identificável, quando a plataforma não comprova a infração, quando ocorre erro no sistema ou quando a penalidade é desproporcional. Nesses casos, o motorista deve primeiro usar os canais de revisão da própria plataforma e apresentar informações ou documentos que indiquem um possível erro.

Se o bloqueio continuar e houver suspeita de arbitrariedade, é possível recorrer ao Poder Judiciário para pedir a reativação da conta e, conforme as circunstâncias e as provas, eventual indenização. A exclusão, porém, não garante automaticamente o direito a receber valores: é preciso demonstrar que a conduta da plataforma foi ilícita ou abusiva.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também definiu que a Justiça do Trabalho não deve analisar ações contra a Uber quando a discussão envolve somente o bloqueio da conta, sem pedido de reconhecimento de vínculo empregatício ou de pagamento de direitos trabalhistas. O tribunal afirmou que as empresas podem suspender perfis por violações graves, mas devem oferecer canais para revisão ou justificativa da medida.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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