Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Fee-based ou comissionado: como comparar o custo para investir

A escolha depende do perfil do investidor, da movimentação da carteira, dos serviços oferecidos e dos possíveis conflitos de interesse.

Fee-based ou comissionado: como comparar o custo para investir

O modelo fee-based pode fazer sentido para quem busca planejamento financeiro e acompanhamento contínuo, mas não é automaticamente mais barato. A escolha entre essa alternativa e o modelo comissionado depende do patrimônio, da frequência de movimentação da carteira e do serviço efetivamente prestado pelo profissional.

No fee-based, o investidor paga uma taxa que geralmente varia de 0,4% a 1% do patrimônio por ano. Já no modelo comissionado ou transacional, a remuneração vem das comissões, spreads, corretagem e outros valores relacionados aos produtos vendidos ou às operações realizadas.

Serviço e remuneração

Pier Mattei, cofundador da Monte Bravo, afirma que o planejamento financeiro tem mais sinergia com o fee-based porque o cliente recebe acompanhamento ao longo do tempo. A corretora tem R$ 45 bilhões em custódia, sendo 44% no fee-based.

A XP adota outra visão. Para Guilherme Sant’Anna, sócio e diretor de distribuição da empresa, o nível de atendimento deve ser o mesmo nos dois modelos. Na avaliação dele, um bom planejamento pode aumentar a confiança do cliente, o patrimônio mantido na instituição e a contratação de outros produtos.

A XP passou a considerar indicadores como net new money, share of wallet e churn em premiações e rankings, em vez de concentrar essas métricas apenas na venda de produtos. Sant’Anna reconhece uma curva em J: no início, o assessor pode ter menor retorno ao dedicar tempo a serviços nem sempre remunerados; depois, a retenção e a venda de outros produtos podem elevar a remuneração.

Na W1, o planejamento financeiro é opcional, cobrado à parte, e custa 3% da renda bruta mensal. Depois, o cliente pode contratar a assessoria de investimentos no modelo fee-based ou transacional. A empresa tem R$ 3,6 bilhões em custódia. Para Gabriel Mangueira, CEO da W1, o cliente precisa saber exatamente pelo que está pagando.

O perfil da carteira pesa

Um investidor conservador, com carteira praticamente parada em Tesouro Direto, fundos e papéis pós-fixados de renda fixa, tende a pagar mais no fee-based. Nessa situação, os rebates costumam ser menos relevantes e o custo fixo sobre o patrimônio pode superar a remuneração do modelo comissionado.

Por outro lado, quem altera a carteira com frequência e opera em diferentes mercados pode pagar mais no modelo transacional, já que as comissões são cobradas a cada movimentação. Antes de decidir, o investidor deve pedir ao assessor uma comparação dos custos nos dois formatos.

No fee-based, os rebates recebidos pelos assessores são revertidos ao cliente na forma de cashback. Por isso, o valor final pode ficar abaixo da faixa de 0,4% a 1% do patrimônio.

Conflitos e qualidade do serviço

O conflito de interesses também deve entrar na análise. A recomendação pode ser influenciada pela forma de remuneração, embora plataformas e grandes assessorias tenham criado carteiras padronizadas e critérios de aderência ao perfil do cliente para tentar reduzir a venda de produtos motivada apenas por comissões.

A expansão dos ETFs é relacionada por especialistas ao crescimento do fee-based. Esses produtos pagam rebates baixos aos assessores. Filipe Medeiros, fundador da AAWZ Partners, diz que os ETFs são baratos e eficientes, mas remuneram pouco no modelo comissionado.

Em uma simulação de migração parcial de produtos com taxas mais altas, como fundos multimercado e de ações, para ETFs, fundos passivos e títulos públicos, Medeiros calculou uma redução de 12% a 25% no custo para o investidor. O cálculo considerou uma taxa de 0,6% no fee-based e uma carteira média de clientes da XP.

Esse resultado depende, porém, da qualidade do profissional e da escolha dos produtos. André Arantes, diretor da EQI Investimentos, afirma que a migração precisa ser feita por um assessor preparado. A empresa tem R$ 58 bilhões em custódia, com a grande maioria no modelo comissionado.

Assim, o fee-based pode ser adequado quando o investidor realmente recebe planejamento e acompanhamento compatíveis com a taxa. Para carteiras estáveis e de baixa movimentação, o modelo comissionado pode custar menos. Para carteiras mais ativas, a comparação deve considerar todas as comissões cobradas nas operações.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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