Os Estados Unidos avaliam aplicar novas sanções contra pessoas, empresas e instituições no Brasil que tenham alguma conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). As medidas podem ser anunciadas nas próximas semanas e fazem parte de investigações sobre o caminho do dinheiro das facções em território americano.
As apurações contam com apoio do Departamento do Tesouro, do Departamento de Justiça e do FBI. Investigadores rastreiam a origem e o destino de transações nos Estados Unidos e cruzam esses dados com informações sobre residentes no Brasil e suas conexões locais. Os alvos podem incluir integrantes com atuação política.
A possibilidade de novas sanções ocorre após críticas da gestão de Donald Trump ao governo brasileiro. Em documento enviado ao Congresso americano na terça-feira (15), a Casa Branca afirmou que as facções transformaram o Brasil em um centro para fluxos globais de cocaína e representam uma ameaça à paz e à segurança internacionais. A gestão Trump também disse que o governo brasileiro precisa tomar “medidas agressivas” contra os grupos.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública reagiu na quarta-feira (16). Em nota, afirmou que os Estados Unidos ignoram iniciativas brasileiras e a cooperação já existente entre os dois países. O ministério declarou que continuará atuando “de forma soberana e coordenada” no enfrentamento das facções.
Medidas anteriores e ações no Brasil
No primeiro semestre, os Estados Unidos classificaram PCC e CV em duas categorias relacionadas ao terrorismo: SDGT, de terrorista global especialmente designado, e FTO, de organização terrorista estrangeira. As classificações ampliaram a possibilidade de bloqueio de ativos e de punição a pessoas e empresas com determinadas relações com as facções.
Em 1º de julho, o governo americano anunciou sanções contra dois brasileiros, três empresas sediadas em São Paulo e uma empresa portuguesa. Segundo as investigações nos Estados Unidos, os envolvidos fariam parte de um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC. As medidas foram anunciadas pelo Ofac, órgão ligado ao Tesouro americano.
No Brasil, operações também investigam a presença das facções na economia e na política. Na quinta-feira (17), a Polícia Civil e o Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, deflagraram a Operação Vectura Corrupta. A investigação afirma que 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital paulista seriam, em tese, controladas pelo PCC.
A Justiça autorizou 16 prisões temporárias. Entre os alvos estava Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, preso na sexta-feira (18). Ele negou ligação com o PCC e as acusações relacionadas à Transwolff.








