Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Chuvas reduzem preço da energia, mas dezembro pode trazer nova pressão

Precipitações melhoram os reservatórios e derrubam contratos, mas temperaturas altas e chuva irregular podem elevar os preços até 2027.

Chuvas reduzem preço da energia, mas dezembro pode trazer nova pressão

As chuvas registradas no Sudeste e no Centro-Oeste nos primeiros dias de setembro melhoraram a perspectiva para os reservatórios das hidrelétricas e reduziram os preços da energia no mercado livre. A expectativa é de níveis confortáveis no curto prazo, mas a possibilidade de precipitações irregulares e temperaturas mais altas pode mudar o cenário a partir de dezembro e, principalmente, no primeiro trimestre de 2027.

Na plataforma BBCE, o megawatt-hora para entrega em setembro era negociado na quinta-feira por cerca de R$ 147, ante R$ 164/MWh no fechamento da semana anterior. O contrato para outubro estava em torno de R$ 162/MWh, contra R$ 193/MWh no relatório semanal mais recente.

Para dezembro, a cotação recuou para aproximadamente R$ 262/MWh, ante R$ 273/MWh. Já o contrato para o primeiro trimestre de 2027 chegou a R$ 288/MWh, abaixo dos R$ 300 observados anteriormente.

Chuva melhora o curto prazo, mas há incerteza adiante

Sudeste e Centro-Oeste concentram parte relevante da capacidade de armazenamento das hidrelétricas. Por isso, a mudança no regime de chuvas afeta a oferta de energia e os preços dos contratos.

Gustavo Verardo, meteorologista da Climatempo, avalia que o início da estação úmida deve ser mais chuvoso por influência do El Niño. Ele alerta, porém, que a regularidade pode diminuir com a aproximação do fim do ano e do começo do ano seguinte. “A irregularidade das chuvas se torna bem maior”, afirma.

Para Verardo, os períodos sem chuva tendem a aumentar nos próximos meses, especialmente no Sudeste e no Centro-Oeste. Temperaturas mais elevadas também podem aumentar a carga do sistema elétrico. A combinação de menor entrada de água nos reservatórios e maior consumo pode pressionar os preços.

O meteorologista também não espera um dezembro tão chuvoso no Sudeste. A Energia Natural Afluente (ENA), indicador que mede a quantidade de água que chega aos reservatórios, pode perder força a partir desse período.

Mateus Nunes, head de Planejamento Energético da Tempo OK, prevê maior volatilidade nos preços. Na avaliação dele, setembro deve beneficiar os reservatórios do Sudeste, mas as chuvas podem se deslocar gradualmente, alcançando áreas diferentes em outubro e novembro.

Quando as chuvas são consistentes nas bacias que abastecem as hidrelétricas, aumenta a oferta e diminui a necessidade de acionar termelétricas. Se a chuva falha, o movimento se inverte e os preços podem reagir rapidamente.

Previsões divergem sobre a continuidade das chuvas

Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus, mantém uma perspectiva mais favorável para a continuidade das chuvas no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste, também sob influência do El Niño. As projeções da empresa indicam volumes acima da média até dezembro em São Paulo, no centro-sul de Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em Mato Grosso do Sul.

Segundo Nascimento, apesar das ondas de calor em partes do Centro-Oeste, do Norte e do Nordeste, os episódios mais intensos nos grandes centros urbanos têm sido relativamente curtos.

A distribuição da chuva também é um ponto de atenção. Matheus Machado, especialista de inteligência de mercado do Grupo Bolt, afirma que cerca de 75% da ENA prevista para outubro no subsistema Sudeste/Centro-Oeste estará concentrada na bacia do Paraná. “Se tivermos uma interrupção nas chuvas em um mês, o preço volta a subir”, diz.

Por enquanto, as precipitações de setembro ajudam a preservar os reservatórios e aliviam os preços. Nos próximos meses, o mercado deve acompanhar a regularidade das chuvas e o comportamento da demanda, que pode crescer com temperaturas mais altas.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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