A bucha vegetal pode ser cultivada em casa, desde que tenha espaço para subir, bastante luz e um suporte capaz de sustentar seus ramos e frutos. A espécie é uma trepadeira vigorosa, com muitas sementes e crescimento fácil, por isso precisa ser conduzida desde o início.
Como montar o cultivo
O plantio deve ser feito em solo fértil, leve e com boa drenagem. Terra vegetal ou substrato para hortaliças, enriquecido com composto orgânico, atende às necessidades da planta. Durante o crescimento e a formação dos frutos, adubações equilibradas ajudam no desenvolvimento. O excesso de nitrogênio, porém, pode favorecer folhas em excesso e reduzir a produção de frutos.
A bucha precisa receber sol pleno durante a maior parte do dia. O mínimo recomendado é de seis horas de luz direta por dia. Uma exposição de sete a oito horas tende a favorecer uma produção mais abundante.
A rega deve manter a terra levemente úmida, sem encharcamento. Em períodos muito quentes e durante a formação dos frutos, a demanda por água aumenta. Podas leves ajudam a orientar os ramos e a evitar que a trepadeira avance sobre outras plantas.
Segundo Tania Campos, especialista em agroecologia urbana, é importante compreender o comportamento da espécie e conduzir seu crescimento quando ela divide espaço com outras plantas. A bucha pode cobrir arbustos e árvores jovens; por isso, o ideal é reservar uma estrutura própria para ela, como pergolado, cerca ou treliça metálica.
Plantio em vasos
O cultivo também pode ser feito em apartamentos, desde que o recipiente seja grande, profundo e tenha furos para a drenagem. Os vasos devem comportar 40 a 60 litros. Varandas e outras áreas externas são opções adequadas quando oferecem bastante luz solar.
Também é necessário instalar um tutor ou uma treliça resistente. Os ramos crescem bastante e os frutos ficam pesados. Rodrigo Maciel, paisagista, afirma que a produção em vaso costuma ser menor que no solo, mas algumas buchas podem ser obtidas quando há luminosidade, rega regular e espaço vertical.
Quando colher
Da semeadura até a colheita da bucha seca, o período varia de quatro a sete meses. Para obter a fibra usada no banho, na limpeza ou na lavagem da louça, é necessário deixar o fruto amadurecer completamente na própria planta.
A mudança de verde para amarelado ou marrom, a perda de peso e a casca ressecada indicam que as fibras internas se formaram. Depois da colheita, retire as extremidades, a casca e todas as sementes. Se a casca estiver difícil de soltar, deixar o fruto em água morna por alguns minutos pode facilitar o trabalho. A fibra deve ser lavada em água corrente, pressionada várias vezes para eliminar polpa e impurezas, e deixada secar em local arejado, de preferência ao sol.
Para higienizar melhor, a orientação é usar uma solução com uma parte de água sanitária e nove partes de água. Depois, é preciso enxaguar e secar completamente. Antes do uso na pele, a bucha deve ser umedecida. Após cada utilização, deve ser lavada e colocada em local arejado.
Uso como alimento
A bucha vegetal também pode ser consumida quando jovem, antes do desenvolvimento das fibras. Nessa fase, o fruto é verde e macio. A colheita para alimentação costuma ocorrer quando ele mede cerca de 10 a 15 centímetros, com variação conforme a variedade. Pode ser preparado refogado ou em ensopados.
Quando começa a endurecer ou apresenta fibras no interior, o fruto deixa de ser adequado para o consumo. Tania Campos explica que frutos muito maduros podem ficar amargos por causa das cucurbitacinas, substâncias que podem provocar náuseas, vômitos, cólicas e diarreia.
A bucha vegetal não deve ser confundida com a buchinha-do-norte, Luffa operculata. Embora pertençam ao mesmo gênero, são plantas diferentes, e a buchinha-do-norte tem partes tóxicas em todas as fases do desenvolvimento.







