GUAÇUÍ — Agostinho Ferreira da Silva, de 103 anos, último pracinha vivo do Espírito Santo, recebeu duas medalhas e o título de Cidadão Guaçuiense na noite de quarta-feira (23). A homenagem reconheceu sua atuação na Segunda Guerra Mundial e os ferimentos sofridos durante o conflito.
Uma das condecorações foi a medalha Soldado da Paz, concedida pela Organização das Nações Unidas e entregue pela Associação dos Boinas Azuis da ONU do ES. A entidade reúne veteranos que participaram de missões de paz no Canal Suez e no Haiti enquanto serviam às Forças Armadas do Brasil.
A outra medalha foi a Sangue do Brasil, destinada a militares feridos em combate durante a Segunda Guerra. Agostinho recebeu a reposição da condecoração, que havia se deteriorado. Ele foi atingido por estilhaços de granada em 17 de abril de 1945, na localidade de Castel D'aiano.
Uma campanha de financiamento coletivo online permitiu presentear o expedicionário com uma cadeira de descanso e uma nova medalha original de guerra. A entrega das medalhas e dos certificados concedidos pela Polícia Militar ocorreu na sede do Tiro de Guerra 01-013 do Exército, em Guaçuí.
Trajetória do expedicionário
O título de pracinha é dado aos soldados do Exército Brasileiro que integraram a Força Expedicionária Brasileira durante a Segunda Guerra Mundial. Agostinho nasceu em Itajubá, Minas Gerais, e se mudou para Guaçuí depois do conflito. Ele constituiu a família no município e vive lá há 80 anos.
A solenidade do título de Cidadão Guaçuiense foi realizada na Câmara Municipal de Vereadores. Familiares e amigos do expedicionário participaram dos eventos ao lado de autoridades das forças armadas e de integrantes dos poderes legislativo e executivo.
Ao recordar o período de guerra, Agostinho falou sobre os ferimentos e o retorno ao país: “Combati, fui ferido e vivi na pele os horrores da Guerra. Só respirei aliviado quando em 22 de agosto de 1945 pisei novamente no solo brasileiro com o sentimento de dever cumprido”.
Sobre as homenagens, ele afirmou: “Uma alegria imensa, que acho até não merecer tanto”.








