ESPÍRITO SANTO — O reconhecimento facial usado pelas forças de segurança do Espírito Santo auxiliou na prisão de 903 pessoas desde junho de 2025. O sistema identifica, por meio de câmeras, pessoas com mandados de prisão em aberto e envia um alerta para as equipes policiais.
Entre 0h00 e 16h30 de quinta-feira (24), as câmeras captaram e analisaram 1.233.000 faces, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo. Após o aviso, os policiais abordam a pessoa e confirmam a identidade antes de cumprir a ordem judicial.
O sistema utiliza 90% de similaridade como referência para as abordagens relacionadas a mandados, mas não determina sozinho uma prisão. Segundo o coronel Leandro Menezes, coordenador do Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR) do Ciodes, a confirmação humana é necessária para evitar ações baseadas apenas na correspondência entre imagens.
A tecnologia também é usada para localizar pessoas desaparecidas e fornecer imagens a investigações criminais. Para o secretário Leonardo Damasceno, o resultado mostra que o investimento em tecnologia amplia a capacidade das forças de segurança.
Prisão de número 900
A prisão de número 900 com auxílio do reconhecimento facial foi de Margarida Floriano da Silva, de 35 anos. Ela foi localizada na última terça-feira no Terminal de Itaparica, em Vila Velha. A ordem judicial havia sido expedida pela 2ª Vara Criminal de São Mateus, após a condenação por lesão corporal, roubo e furto qualificado.
As câmeras identificaram Margarida enquanto ela circulava pelo terminal. O NIR acionou policiais militares que participavam da Operação Terminal Seguro. Depois da confirmação da identidade, ela foi levada à Delegacia Regional de Vila Velha, onde o mandado foi cumprido.
Crimes e transporte coletivo
Entre as 903 prisões, 186 foram relacionadas ao tráfico de drogas, 172 a roubo e 103 a homicídio. O levantamento também registra 36 pessoas procuradas por estupro, 49 por furto e 241 detenções relacionadas à pensão alimentícia.
Mais de mil ônibus da Grande Vitória têm câmeras, segundo Leandro Menezes. De acordo com um dado citado por ele, a redução dos roubos no sistema chegou a 85% entre 2024 e 2026. O monitoramento também integra a estratégia de presença permanente do poder público em áreas acompanhadas pelas câmeras.








