A Justiça decretou a prisão preventiva de seis investigados na Operação Cavalo de Troia, que apura uma suposta tentativa de fraude em uma licitação para coleta de resíduos sólidos em Bauru. O contrato tinha valor estimado de R$ 5,2 bilhões e duração prevista de trinta anos.
Entre os presos estão a ex-secretária municipal do Meio Ambiente Cilene Chabuh Bordezan e Hamilton Libório Agle, executivo da Estre Ambiental. Também tiveram a prisão preventiva decretada Sara Moura de Jesus, ex-secretária municipal adjunta do Meio Ambiente e ex-funcionária da empresa; Talita de Andrade Soares Chieregatti, funcionária da Estre; Vitor João de Freitas Costa, ex-secretário municipal dos Negócios Jurídicos; e Mário Luiz Silvério, coordenador técnico ligado à Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).
Cilene e Agle haviam sido presos no dia 9, inicialmente de forma temporária. A decisão foi tomada por Josias Martins de Almeida Júnior, da Vara Regional das Garantias. Para o magistrado, a liberdade dos investigados poderia comprometer depoimentos, provas físicas e dados digitais, além de favorecer o alinhamento de versões e a cooptação de servidores.
A investigação é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, por meio do Gaeco. De acordo com os promotores, servidores responsáveis por analisar recursos administrativos sofreram pressões e constrangimentos. A Promotoria também afirma que Cilene atuava em favor da Estre dentro da administração municipal e mantinha contato com Agle para discutir diretrizes e prazos do certame.
Suspeitas investigadas
Segundo os promotores, a ex-secretária se referia ao negócio como “minha concessão” e participava da elaboração de respostas da FIPE e do município a impugnações e ao Tribunal de Contas. A investigação cita ainda uma rotina de gastos pessoais entre R$ 77 mil e R$ 80 mil mensais, considerada incompatível com o subsídio do cargo.
A decisão também menciona que Vitor Costa tinha R$ 240 mil em dinheiro em espécie em casa. No caso de Agle, o Ministério Público aponta a discussão de uma Taxa Interna de Retorno de 35% a 45% e o custeio de despesas de agentes públicos, incluindo um jantar de R$ 1.893,87.
A licitação foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o que impediu a conclusão da suposta fraude. Ainda assim, conforme a decisão, os investigados teriam continuado a elaborar pareceres, monitorar opositores e articular medidas contra agentes fiscalizadores.
A Prefeitura de Bauru informou que respeita a atuação do Ministério Público e está disponível para fornecer documentos e informações. A administração afirmou que não há apontamento de participação ou envolvimento da prefeita Suéllen Rosim, que não é alvo da operação. A Estre Ambiental declarou compromisso com ética e transparência e disse colaborar com as autoridades.
Para o juiz, a prisão preventiva é necessária para proteger a instrução criminal, a ordem pública e a ordem econômica municipal. Ele também avaliou que o risco permanece atual diante da capacidade de articulação dos investigados e da possibilidade de ocultação de provas ou interferência em depoimentos.







