O Pará registrou 1.148 casos de neoplasias malignas do intestino delgado, cólon, junção retossigmoide e reto entre 2024 e julho de 2026. Os dados são do Painel de Oncologia e foram informados pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Foram contabilizados 486 casos em 2024, 482 em 2025 e 180 entre janeiro e julho de 2026. No acumulado, Belém concentrou 440 registros, seguida por Ananindeua, com 124, e Santarém, com 60.
A Sespa também informou 313 mortes por esse tipo de câncer em 2026. Em 2024 e 2025, somados, foram 922 óbitos. Neste ano, os municípios com mais mortes foram Belém, com 98; Ananindeua, com 30; Santarém, com 16; Marabá, com 11; e Castanhal, com 10.
Fatores de risco e prevenção
O cirurgião do aparelho digestivo, gastroenterologista e professor de Medicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa) Marcus Vinícius Henriques Brito relaciona o desenvolvimento da doença principalmente à predisposição genética e à alimentação. Segundo ele, o consumo elevado de produtos com conservantes, a baixa ingestão de fibras e alterações no trânsito intestinal podem contribuir para o surgimento do câncer.
Marcus Vinícius recomenda reduzir alimentos industrializados e priorizar opções naturais e ricas em fibras. A hidratação e a manutenção de um hábito intestinal regular também fazem parte da prevenção. O histórico familiar de câncer de intestino ou do tubo digestivo, especialmente em várias gerações, deve aumentar a atenção ao rastreamento.
De acordo com o especialista, cerca de 95% a 98% dos cânceres de intestino são adenocarcinomas. Esses tumores se originam nas glândulas e na mucosa intestinal. O processo pode começar com pólipos, que sofrem alterações genéticas e evoluem para uma neoplasia. No intestino, essa transformação demora cerca de cinco a oito anos.
Rastreamento e tratamento
Marcus Vinícius afirma que a colonoscopia deve ser feita a partir dos 35 anos para pessoas com histórico familiar de câncer do tubo digestivo e a partir dos 45 anos para quem não tem esse histórico. Se o resultado estiver normal, o exame deve ser repetido a cada cinco anos. Quando há pólipos com displasia ou outras alterações, o intervalo pode ser menor, chegando, dependendo dos achados, a seis meses.
Sangramento, diarreia, fezes com muco, mudanças no hábito intestinal e sintomas de obstrução devem ser avaliados por um médico. O diagnóstico precoce amplia as possibilidades de tratamento, segundo o professor.
A Sespa informou que as ações de prevenção incluem orientação sobre alimentação saudável, combate ao tabagismo e ao consumo de álcool e exame de sangue oculto nas fezes. No Pará, o tratamento de alta complexidade pelo SUS é oferecido em unidades de Belém, Castanhal, Santarém, Tucuruí e Marabá.








