Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Descomissionamento de plataformas pode criar 5 mil empregos no Espírito Santo

Atividade prevê salários de até R$ 40 mil e exige qualificação, infraestrutura portuária e regras definidas para avançar no estado.

Descomissionamento de plataformas pode criar 5 mil empregos no Espírito Santo

A indústria de descomissionamento de plataformas de petróleo pode gerar até 5 mil empregos diretos e indiretos nos próximos anos no Espírito Santo. As remunerações das funções especializadas devem variar de R$ 28 mil a R$ 40 mil mensais, conforme Carlos Jardim Sena, vice-presidente do Centro Capixaba de Desenvolvimento Metalmecânico (CDMEC).

O descomissionamento reúne as atividades de interrupção definitiva de um sistema de produção, incluindo a desmontagem, a adaptação e a reciclagem de plataformas. O processo começa quando a produção cai a níveis que deixam de justificar os custos de operação.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2024, a extração de óleo e gás pagou uma média de 17,5 salários mínimos, equivalente a R$ 28.367,50. No conjunto da indústria, a média foi de três salários mínimos, ou R$ 4.863.

A diferença é associada às exigências da Convenção de Hong Kong, adotada em 2009 e em vigor internacionalmente desde junho de 2025. O acordo estabelece parâmetros de segurança, qualificação e proteção ambiental para o setor. Carlos Jardim Sena afirmou que as regras impedem a redução das condições de trabalho e aproximam os pagamentos dos valores praticados na Europa.

Uma tabela de funções e salários de uma empresa do segmento tinha, em março, remuneração de até R$ 28 mil para gerente de engenharia e de R$ 2.102,98 para ajudante industrial. Hugo Marques, superintendente do Porto Nova Holanda, disse que os contratos diretamente com os donos das plataformas contribuem para uma remuneração acima da média do setor metalmecânico.

Mercado e desafios

O Espírito Santo é o segundo maior produtor de petróleo do País e já tem 26 projetos de descomissionamento aprovados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O mercado brasileiro é estimado em R$ 70,2 bilhões pela agência, enquanto a atividade pode movimentar mais de R$ 4,79 bilhões no estado nos próximos anos.

O custo médio de descomissionamento de uma infraestrutura varia de R$ 300 milhões a R$ 500 milhões. Entre os obstáculos estão a preparação de portos, o licenciamento ambiental, a definição do regime tributário e a regulamentação do setor.

O marco legal sobre o tema tramita no Congresso há cinco anos sem votação. Segundo Carlos Jardim Sena, os contratos são fechados com 3 a 4 anos de antecedência, o que exige que o licenciamento avance no mesmo ritmo.

A formação profissional também é uma etapa necessária. O CDMEC estrutura um programa com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o Instituto Federal do Estado (Ifes), a Universidade Vila Velha e o Senai. A proposta inclui formação técnica, cursos de extensão e pós-graduação.

Entre os empreendimentos previstos está o Porto Nova Holanda, que busca um contrato com a SBM Offshore para receber a FPSO Cidade de Ilhabela em dezembro de 2028. O setor também precisa lidar com a destinação de resíduos como amianto, óleos e NORM, além de adaptar a cadeia de fornecedores ao tamanho das estruturas.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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