Contagem, Domingo, 27 de setembro de 2026
Brasil

Lula promete acabar com bets, enquanto Flávio defende apostas esportivas sob controle

Presidente endurece posição contra jogos online, mas senador diferencia cassinos virtuais de apostas em partidas reais.

Lula endurece discurso sobre bets; Flávio critica regulamentação atual, mas defende aposta esportiva

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva endureceu o discurso contra as bets e passou a defender o fim dos jogos online, incluindo cassinos virtuais como o jogo do tigrinho. Em declarações recentes, afirmou que o modelo transforma o vício em lucro e contribui para o endividamento de famílias.

O governo avalia uma medida provisória para proibir bets e cassinos online. A mudança representa uma nova etapa em relação à política adotada no início da gestão, quando o Executivo escolheu regulamentar as apostas de quota fixa.

Em 2023, o governo enviou ao Congresso uma proposta para regulamentar a modalidade, autorizada por uma lei aprovada em 2018, durante o governo Michel Temer. No fim de 2023, Lula sancionou a Lei 14.790, que criou exigências de licença e tributação e estabeleceu regras contra lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e jogo problemático.

A justificativa era submeter à fiscalização um mercado que já funcionava sem regras. Em entrevista à Rádio Metrópole, em outubro de 2024, Lula afirmou que a escolha estava entre encerrar as apostas ou regulamentá-las: "Nós optamos pela regulação". Na mesma ocasião, disse que poderia acabar com a atividade se as regras não resolvessem o problema.

Mudança no discurso

Em maio de 2026, no programa Sem Censura, da TV Brasil, Lula declarou que proibiria todas as bets, mas ponderou que a decisão não dependia somente dele. Em agosto, durante a campanha, afirmou que acabaria com as plataformas se isso dependesse de sua vontade pessoal.

Em setembro, ao comentar os efeitos sociais das apostas em entrevista a Cauê Moura e Load Comics, do podcast Desce a Letra Show, comparou a expansão das bets à do crack. Na propaganda eleitoral, passou a descrever a jogatina online como vício e doença e declarou: "A gente vai acabar com as bets".

Estimativas do Banco Central indicam que cerca de 24 milhões de pessoas fizeram ao menos uma transferência por Pix para empresas de apostas e jogos online em 2024. Os valores mensais movimentados ficaram entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.

O órgão também estimou que, em agosto de 2024, cinco milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família transferiram R$ 3 bilhões por Pix para essas empresas.

Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que 43,8 milhões de brasileiros haviam apostado em plataformas autorizadas até agosto de 2026. O número corresponde a 27% da população adulta. No primeiro semestre, as plataformas receberam R$ 88,5 bilhões em depósitos e pagaram R$ 68,3 bilhões em prêmios.

Em julho, uma portaria passou a exigir alertas de que apostar pode causar dependência, envolve risco de perda financeira e não é investimento. A norma também proibiu anúncios com palpites ou análises de comentaristas, especialistas e influenciadores que pudessem induzir apostas, além de mensagens sobre ganhos garantidos, jogo excessivo ou pressão para apostar imediatamente.

A política também reforçou o impedimento de beneficiários do Bolsa Família e do BPC nas plataformas legais. Até então, a estratégia do governo era restringir a publicidade e bloquear o acesso de grupos vulneráveis, sem extinguir o mercado.

Flávio separa cassino e aposta esportiva

O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro critica a regulamentação sancionada por Lula em dezembro de 2023 e destaca que votou contra o projeto. Em vídeo de campanha, afirmou que pessoas se iludem com a possibilidade de ganhar dinheiro, gastam o que não têm e terminam endividadas.

Apesar da oposição à lei, Flávio diferencia os tipos de jogo. Ele afirma ser contrário aos jogos em geral, mas considera que apostas em partidas reais de futebol, vôlei ou tênis podem ser controladas. Em uma transmissão com Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes, resumiu sua posição: "O cassino online tem que acabar".

Maioria apoia proibição

A rejeição às bets já era majoritária antes da ofensiva eleitoral. Em novembro de 2024, pesquisa Datafolha mostrou que 65% dos brasileiros defendiam a proibição das apostas esportivas online. A taxa foi de 68% entre mulheres e 61% entre homens.

Levantamento Atlas/Bloomberg divulgado nesta semana apontou que 75% defendem a proibição, ante 73% em abril.

O levantamento também indicou uma dificuldade para Lula: 36% atribuíram ao governo dele a principal responsabilidade pela disseminação das bets. Outros 25% citaram o governo Jair Bolsonaro, e 16,5% responsabilizaram o Congresso.

Para o cientista político e professor do Insper Leandro Consentino, o tema faz parte da disputa pelos eleitores que ainda não escolheram entre Lula e Flávio Bolsonaro. Na avaliação dele, as duas campanhas tentam atrair votos de outros candidatos e liquidar a disputa no primeiro turno.

Consentino afirma que Lula busca recuperar sua imagem pública com anúncios de apelo popular, enquanto a campanha de Flávio tenta apresentar o governo como leniente com as apostas e atribuir a mudança de posição do presidente ao período eleitoral. Para o professor, o discurso sobre as bets é difuso e pode ser percebido por parte do eleitorado como demagógico devido ao tom eleitoreiro.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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