BELÉM — O legado de Zélia Amador de Deus na Universidade Federal do Pará (UFPA) foi destacado durante a missa de sétimo dia realizada na Igreja do Carmo, no bairro da Cidade Velha. A celebração reuniu centenas de pessoas na noite desta segunda-feira (14), entre familiares, estudantes, pesquisadores, amigos e ativistas do movimento negro.
O reitor da UFPA, Gilmar Pereira, afirmou que a professora teve papel central na democratização do ensino superior e na inclusão de negros, quilombolas, estrangeiros, indígenas, mulheres e da comunidade LGBTQIA+. Para ele, o trabalho de Zélia fez da universidade a mais inclusiva do Brasil.
“Ela dedicou a vida a convencer as pessoas de que o ser humano precisa ser cuidado”, declarou Gilmar Pereira.
Relatos de estudantes e pesquisadores
A cerimônia teve como tema “Eu sou porque nós somos”, em referência à filosofia africana Ubuntu. A cantora e sambista Gigi Furtado participou do canto da missa.
O doutor em educação Israel Hounsou, natural de Benin, na África, contou que Zélia foi uma mãe para ele e para estudantes estrangeiros da UFPA. Ele relatou que a professora o acolheu quando chegou ao Brasil sem falar português direito e o ajudou a continuar os estudos.
“Eu sempre chamo ela de mãe, porque realmente era uma mãe não somente pra mim, mas pra vários outros colegas de qualquer nacionalidade”, afirmou Israel Hounsou.
O viúvo de Zélia, Anselmo Bentes de Oliveira, pediu orações pela justiça social, uma das pautas defendidas pela professora. Durante os ritos iniciais, parentes relembraram a fé e a atuação dela como professora, doutora, escritora, atriz, diretora de teatro e defensora dos direitos da população negra.
Edilamar Conceição, integrante do Centro de Estudo e Defesa do Negro (Cedenpa), afirmou que os estudos de Zélia servem de suporte para a luta negra no Pará. Também destacou a relação da pesquisadora com jovens, que eram acolhidos e orientados por ela.
Zélia Amador de Deus morreu na última terça-feira (8). A missa reuniu pessoas que lembraram sua atuação acadêmica, o cuidado com estudantes e a defesa da inclusão e da igualdade.







