BELÉM — A missa de sétimo dia de Zélia Amador de Deus será celebrada na segunda-feira (14), às 20h, na Igreja do Carmo, na travessa Dom Bosco, Nº. 69, no bairro Cidade Velha, em Belém. A cerimônia terá como tema “Eu sou porque nós somos”, expressão associada à filosofia africana Ubuntu.
A celebração deve reunir familiares, amigos, integrantes do movimento negro, pesquisadores, estudantes e pessoas que acompanharam a trajetória da professora emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA). Zélia morreu no dia 8 de setembro, após passar mal e ser levada a um hospital em Belém. Ela fazia tratamento contra um câncer de mama, mas a família não divulgou detalhes sobre a causa médica exata do óbito.
Trajetória na educação e no movimento negro
Nascida no território quilombola de Mangueiras, no Marajó, Zélia se tornou uma referência na defesa dos direitos da população negra e quilombola, da educação e do enfrentamento ao racismo na Amazônia.
Ela foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e participou da luta pelo reconhecimento e pela titulação de territórios quilombolas. Também atuou em defesa das ações afirmativas e da ampliação do acesso da população negra à educação.
Na UFPA, Zélia exerceu o cargo de vice-reitora e participou da criação do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos. Como Conselheira Notório Saber do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), também atuou na defesa da memória, da identidade e dos direitos das comunidades negras e quilombolas.
A missa será um momento de homenagem à trajetória de Zélia, marcada pela produção de conhecimento, pela educação e pela atuação em movimentos sociais e comunidades que lutam pelo reconhecimento de direitos e pela igualdade racial.







