A escola pode ajudar a identificar adolescentes que estão ficando isolados, enquanto a família tem o papel de ampliar as possibilidades de lazer e convivência fora das telas. Para especialistas, a aproximação deve acontecer gradualmente, com atividades relacionadas aos interesses de cada jovem.
O papel da família
A psicóloga Silvia Missi afirma que os adultos precisam observar o que desperta a atenção dos filhos antes de sugerir uma atividade. Teatro, dança, cerâmica, crochê e outras opções podem funcionar quando fazem sentido para o adolescente. O contato social também pode começar em situações simples, como tomar sorvete ou convidar um amigo para assistir a um filme.
A recomendação é evitar que encontros e passeios sejam tratados como obrigação. Segundo Silvia, passos menores podem reduzir a ansiedade e tornar a aproximação mais natural. A família também deve participar de momentos sem celular, dar exemplo no uso das telas e facilitar encontros com amigos em casa ou em outros espaços.
Entre as opções estão passeios, jogos de tabuleiro, idas ao parque, cinema, esportes, música, clubes, voluntariado e projetos coletivos. Pequenas responsabilidades fora de casa, como passear com o cachorro ou fazer uma compra simples, também podem estimular autonomia e contato com outras pessoas.
A psicopedagoga Vanessa Cavalcante explica que a convivência presencial contribui para o desenvolvimento da comunicação não verbal, da reciprocidade, da negociação e da tolerância à frustração. Essas competências podem ser fortalecidas por novas experiências de interação.
A psicóloga e mestre em Psicologia Clarisse Timbó alerta que a falta de pertencimento pode deixar adolescentes mais vulneráveis a comunidades nocivas ou extremistas. Para ela, quando um grupo prejudicial se torna atraente, isso pode indicar que a solidão chegou a um nível muito alto.
Como perceber sinais de isolamento
A família deve observar recusa frequente em sair, perda de interesse por atividades antes prazerosas, alterações no sono e irritabilidade. Esses sinais podem indicar a necessidade de buscar ajuda profissional.
Laryssa Pontual decidiu ampliar as opções de lazer depois de notar que Davi, de 10 anos, passava mais tempo dentro de casa. O irmão mais novo, Tayler, de 11 meses, também participa das programações. A mudança ocorreu gradualmente e respeitou os interesses do menino.
A mãe afirma que não é necessário eliminar as telas, mas impedir que elas se tornem a única alternativa. “A criança precisa experimentar o mundo além da tela: conversar, brincar, fazer amizades e aprender a conviver.”
O que a escola pode fazer
Recreios e trabalhos em grupo são oportunidades para que os alunos aprendam a cooperar, negociar regras e lidar com conflitos. A escola também pode notar sinais que não aparecem em casa, como o aluno que permanece sozinho de forma sistemática.
Além de acompanhar o desempenho acadêmico, os professores podem observar a participação social dos estudantes. A partir dessa percepção, a instituição pode oferecer espaços de escuta, projetos cooperativos, tutorias entre alunos e ações de prevenção ao bullying e à exclusão.
Para Clarisse, atividades coletivas, como jogos internos, favorecem o contato entre os jovens de maneira espontânea. A psicóloga também destaca que a interação com outras pessoas está ligada ao desenvolvimento humano e deve ser estimulada desde a infância.
O incentivo, portanto, pode combinar programas em família, atividades em grupo e iniciativas escolares. O ritmo de cada criança ou adolescente deve ser respeitado, sem que a convivência seja transformada em mais uma fonte de pressão.








