Contagem, Sexta-feira, 25 de setembro de 2026
Brasil

Investigações rastreiam recursos usados no financiamento de Dark Horse

Polícia Federal apura caminhos do dinheiro destinado ao filme sobre Jair Bolsonaro, com repasses privados, emendas e operações nos Estados Unidos.

Nacional - Quanto dinheiro passou por Dark Horse? Família Bolsonaro inovou nas formas de arrecadação com o filme

As investigações sobre o financiamento de Dark Horse, filme produzido para contar a trajetória de Jair Bolsonaro, ainda não determinaram quanto dinheiro foi efetivamente captado, quem financiou o projeto e qual foi a destinação dos recursos.

A Go Up Entertainment afirma, com base em uma perícia privada contratada pela defesa, que a produção custou US$ 13,4 milhões, aproximadamente R$ 75 milhões. O valor, porém, convive com outras cifras identificadas em apurações sobre o Banco Master, emendas parlamentares e movimentações financeiras consideradas suspeitas.

Repasse ligado ao Banco Master

Flávio Bolsonaro admitiu que procurou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para buscar financiamento para o filme. O senador descreveu a iniciativa como um “filho procurando patrocínio privado”.

Segundo as investigações, o valor inicialmente tratado chegou a R$ 134 milhões. Vorcaro teria destinado US$ 12,33 milhões ao projeto, quantia hoje próxima de R$ 63 milhões. O dinheiro foi enviado por meio da Entre Investimentos ao Havengate Development Fund, sediado nos Estados Unidos.

Flávio confirmou que o investimento relacionado a Vorcaro ficou em “12 milhões e alguma coisa de dólares”. A perícia apresentada pela Go Up afirma que o custo da produção foi bancado pelo Havengate, mas o documento foi elaborado a partir de informações fornecidas pela defesa e não identificou nominalmente Vorcaro nem todos os financiadores.

Na terceira fase da Operação Carbono Oculto, chamada Crédito Oculto, a Polícia Federal atingiu a Entre Investimentos. A empresa é apontada como intermediária de recursos enviados por Vorcaro ao fundo ligado ao financiamento de Dark Horse.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a Entre recebia recursos do Banco Master e de grupos ligados ao crime organizado. Questionado sobre a possibilidade de o dinheiro usado nas operações do filme ter saído dessa estrutura, respondeu que “tudo indica que sim”, mas ressaltou que a origem de cada recurso precisa ser rastreada pela investigação.

Valores recebidos pela produtora

Documentos analisados pela Polícia Federal e pelo Coaf mostram que a Go Up recebeu aproximadamente R$ 8,95 milhões em créditos entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Os principais remetentes foram Moneycorp Banco de Câmbio, com R$ 3,92 milhões; GO7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural, com R$ 2,61 milhões; Marcello de Oliveira Lopes, com R$ 1 milhão; NTT Brasil, com R$ 750 mil; e Mário Frias, com R$ 645,4 mil.

A Moneycorp atua no mercado de câmbio, e parte dos valores pode corresponder à conversão de recursos enviados do exterior. A GO7 pertence a Karina Gama, que também controla a Go Up, o que caracteriza uma transferência entre empresas relacionadas.

Marcello Lopes, ex-marqueteiro de Flávio Bolsonaro, disse que o R$ 1 milhão foi um investimento privado feito com recursos próprios. A Polícia Federal não atribuiu irregularidade específica ao pagamento.

Emendas e atuação de Eduardo Bolsonaro

A Polícia Federal investiga R$ 2 milhões em emendas destinadas por Mário Frias, produtor-executivo e um dos roteiristas do filme, a entidades comandadas por Karina Gama. Relatórios da Controladoria-Geral da União apontaram irregularidades na execução dos projetos.

Em uma das linhas investigadas, R$ 700 mil recebidos pelo Instituto Conhecer Brasil foram repassados à Dinâmica Editora e ao Instituto Super Poder Educacional. Depois, a NTT Brasil transferiu R$ 750 mil para a Go Up. A apuração busca saber se o dinheiro público circulou pelas empresas até chegar à produção, mas não concluiu que os mesmos R$ 700 mil tenham sido os R$ 750 mil depositados na produtora.

Flávio Dino afirmou haver indícios, no “terreno hipotético da investigação”, de que Frias exerceria papel de liderança na suposta arquitetura de desvio de emendas. Frias nega irregularidades e diz que os recursos foram destinados a projetos sociais. A Polícia Federal também questionou a compatibilidade dos R$ 645,4 mil transferidos por ele à produtora com os rendimentos declarados.

Eduardo Bolsonaro aparece em documentos com orientações sobre a administração dos recursos nos Estados Unidos. O Havengate foi criado por Paulo Calixto e Altieris Santana; Calixto é advogado ligado a Eduardo. A Polícia Federal destacou que o fundo, originalmente voltado a operações imobiliárias e praticamente inativo, passou a receber recursos em fevereiro de 2025.

As informações públicas disponíveis não permitem afirmar que o dinheiro destinado formalmente ao filme tenha sido usado em despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro ou de sua família. Também não há respostas conclusivas sobre eventual uso de recursos do projeto em atividades políticas, produção de conteúdo ou impulsionamento que deveriam ser declarados como gastos eleitorais.

A soma dos valores não pode ser feita de forma direta, pois algumas operações podem representar etapas diferentes da circulação do mesmo dinheiro. As investigações ainda tentam esclarecer quem colocou recursos no projeto, quanto foi arrecadado, por quais estruturas financeiras o dinheiro passou e onde terminou.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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