Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Brasil

PF não identifica destino de R$ 6,2 milhões recebidos por associação ligada a filme

A Academia Nacional de Cultura recebeu valores de empresas relacionadas ao Instituto Conhecer Brasil, segundo a investigação autorizada por Flávio Dino.

Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

A Polícia Federal ainda não identificou o destino de R$ 6,2 milhões recebidos pela Academia Nacional de Cultura (ANC), associação presidida por Karina Ferreira Gama, empresária responsável pela produtora do filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro (PL). A apuração investiga uma possível triangulação de recursos públicos relacionados à produção.

A ANC recebeu R$ 6.175.273,64 entre julho de 2024 e dezembro de 2025. Os valores vieram de quatro empresas que, no mesmo período, haviam recebido recursos do Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade também ligada a Karina Gama. As movimentações foram registradas em Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf.

Diferença nos registros financeiros

Os investigadores identificaram uma divergência entre os valores atribuídos à ANC nas comunicações financeiras de terceiros e a movimentação declarada pela própria associação. O relatório da entidade registra R$ 1,1 milhão entre maio de 2025 e maio de 2026, sendo R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos.

Para a PF, a diferença pode indicar a existência de outras contas bancárias que não foram informadas ao Coaf. A investigação afirma: “Chama a atenção o fato de ser essa a única comunicação de titularidade da ANC”.

Na decisão que autorizou a operação realizada na quinta-feira (10), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), também apontou a incompatibilidade entre os dados formais da associação e os registros feitos por outras instituições. Segundo Dino, foram identificados “registros do envio de um total de R$ 6.175.273,64 para a ANC”.

Recursos públicos e privados

A apuração sobre o filme avançou depois que Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou ter pedido recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar a obra sobre seu pai. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos pelo ex-banqueiro, R$ 60 milhões teriam sido repassados.

A PF verifica se, além dos recursos privados associados a Vorcaro, verbas públicas foram desviadas para a produção. A suspeita envolve emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP) e recursos da Prefeitura de São Paulo.

O ICB recebeu R$ 1 milhão em emendas de Mario Frias e R$ 108 milhões em contrato com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi. A hipótese investigada é que parte desse dinheiro tenha circulado por empresas e entidades relacionadas a Karina Gama, entre elas a ANC e a Go Up Entertainment.

A Polícia Civil de São Paulo também apura se o ICB apresentou faturas e notas fiscais descritas como frias para justificar despesas pagas com recursos municipais.

A ANC ainda aparece em repasses destinados a uma série sobre heróis nacionais. O projeto recebeu R$ 2,6 milhões em emendas de Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli e Alexandre Ramagem. Em 2025, o deputado estadual paulista Gil Diniz (PL) destinou R$ 200 mil à produção. O pagamento ocorreu em agosto daquele ano.

Outra linha da investigação verifica se parte dos valores pagos por Daniel Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

A defesa de Karina Gama declarou que ela está “contribuindo espontânea e voluntariamente” com as investigações. Os advogados disseram que a empresária entregou mais de 20 mil laudas de documentos e negaram a prática de ilícitos. No domingo (13), a defesa também afirmou considerar positiva a retirada do sigilo da investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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