Cientistas dos Estados Unidos acompanham pelo menos 55 mil cães no Projeto Envelhecimento Canino, criado para investigar como genes, estilo de vida e ambiente influenciam o envelhecimento. A iniciativa também busca ampliar o conhecimento sobre mecanismos relacionados ao envelhecimento humano.
A pesquisa inclui animais de todas as raças, idades, tamanhos e sexos. Os cães foram escolhidos por apresentarem grande variação de características físicas e comportamentais, além de doenças e declínios funcionais semelhantes aos observados nas pessoas. Como envelhecem mais rapidamente, eles também permitem acompanhar mudanças ao longo do tempo e avaliar intervenções.
Teste com rapamicina
Uma das frentes do projeto é um ensaio clínico com cães de grande porte e de meia-idade. Durante um ano, os animais recebem baixas doses semanais de rapamicina, droga que demonstrou prolongar a vida útil e melhorar a saúde de camundongos em até 25%.
O objetivo é verificar se o composto pode aumentar a expectativa de vida dos cães, melhorar funções cardíacas e cognitivas e reduzir a ocorrência de doenças relacionadas à idade. De acordo com os cientistas, trata-se do primeiro ensaio clínico fora de um laboratório a usar medidas de tempo de vida e saúde como resultados principais em uma espécie.
Os pesquisadores também reúnem históricos médicos, informações ambientais e o sequenciamento completo do genoma. Amostras de sangue, urina, pelo e fezes são coletadas regularmente. Até o momento, os genomas de mais de dez mil cães foram sequenciados.
Dados sobre o envelhecimento
A equipe pretende combinar as informações para criar um modelo biológico do envelhecimento canino. A avaliação anual considera desde medidas físicas do organismo até análises moleculares de sangue e outros fluidos.
Com esses dados, os cientistas esperam identificar biomarcadores capazes de indicar como um cão está envelhecendo e ajudar a prever sua evolução. O material também poderá apontar fatores genéticos e ambientais associados aos mecanismos do envelhecimento e apoiar estudos clínicos voltados ao desenvolvimento de terapias antienvelhecimento.
O Projeto Envelhecimento Canino é apoiado pelo Instituto Nacional do Envelhecimento e foi descrito em artigo publicado na Nature. Além de contribuir para a medicina veterinária, a iniciativa pretende gerar informações que possam ser aplicadas à pesquisa sobre o envelhecimento humano.







