Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Saúde

Cadastro não garante doação: como funciona a coleta de medula óssea

Hematologista Beatriz Nery esclarece dúvidas sobre métodos de coleta, recuperação do organismo, critérios de cadastro e indicações do transplante.

Cadastro não garante doação: como funciona a coleta de medula óssea

A inscrição como possível doador de medula óssea não significa que a pessoa será chamada para realizar o procedimento. A chance de um cadastro resultar em uma doação é baixa, porque a compatibilidade depende de características genéticas específicas, explica a hematologista Beatriz Nery, do Instituto de Oncologia de Sorocaba (IOS).

Quando há compatibilidade, o chamado indica que o doador pode ser adequado para um receptor entre uma grande variabilidade genética. Por isso, manter um registro amplo e diversificado aumenta as possibilidades de encontrar alguém compatível para quem precisa do transplante.

Como a coleta é realizada

A doação pode ocorrer de duas formas. Na aférese, uma máquina retira as células-tronco do sangue periférico, separa o material necessário e devolve o restante ao doador. Antes desse procedimento, são aplicadas injeções para estimular a passagem das células-tronco da medula para o sangue, o que pode causar algum desconforto.

A outra opção é a punção direta no osso da bacia. Nesse caso, a coleta acontece em centro cirúrgico, com anestesia geral. A escolha do método depende principalmente da doença que será tratada. A medula óssea fica dentro dos ossos e produz as células do sangue; ela não é a medula espinhal, que está localizada na coluna vertebral.

Na punção, o doador não sente dor durante a coleta por estar anestesiado. Depois, pode haver desconforto no local, geralmente controlado com analgésicos. Na aférese, a sensação pode estar relacionada às injeções aplicadas antes da doação.

Recuperação e critérios para o cadastro

O organismo repõe as células doadas. De acordo com Beatriz Nery, esse processo leva, em média, de 10 a 20 dias. Nesse intervalo, o doador pode apresentar cansaço, principalmente nos dias seguintes ao procedimento.

O cadastro também não está disponível para qualquer pessoa saudável sem avaliação. Em geral, são priorizadas pessoas entre 18 e 35 anos, que permanecem ativas nos registros até os 60 anos. A elegibilidade considera ainda condições como histórico pessoal de câncer, algumas doenças autoimunes, infecções crônicas — incluindo tuberculose, doença de Chagas e hepatites — e determinadas doenças crônicas, como diabetes, obesidade e insuficiência cardíaca.

Para quais doenças o transplante é indicado

O transplante de medula óssea pode tratar algumas doenças malignas do sangue, como leucemias, linfomas, mieloma e neoplasias mielodisplásicas. A indicação, porém, não se limita aos cânceres. O procedimento também pode ser usado em determinadas imunodeficiências primárias, anemia falciforme e falências medulares congênitas.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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