O fator masculino pode estar envolvido em 30% a 50% dos casos de infertilidade conjugal, isoladamente ou junto a condições femininas. Por isso, a investigação médica deve considerar os dois parceiros, e não começar apenas pela mulher, afirma Luiz Pina, especialista em reprodução humana e endometriose da clínica Baby Center (SP) e cofundador do laboratório United Fertilidade.
Entre as possíveis causas masculinas estão varicocele, alterações hormonais e genéticas, infecções, obstruções no aparelho reprodutor e fatores associados a doenças e tratamentos anteriores. Histórico de alterações testiculares, cirurgias, infecções ou problemas hormonais também merece ser informado ao médico.
Quando investigar
A referência costuma ser de 12 meses de tentativas para mulheres abaixo de 35 anos e de seis meses para aquelas acima dessa idade. Esse intervalo, porém, não precisa ser aguardado em todos os casos.
Ciclos menstruais muito irregulares ou ausentes, histórico de endometriose, alterações ovarianas e determinadas cirurgias podem justificar uma avaliação antecipada. A mesma orientação vale para homens com doenças ou alterações que possam afetar a produção ou a qualidade dos espermatozoides.
“Na maioria das vezes, o principal sinal é justamente a gravidez que não acontece após um período adequado de tentativas”, explica Pina. Segundo o médico, mudanças no ciclo menstrual, endometriose, cirurgias e infecções pélvicas podem levantar suspeitas sobre a fertilidade feminina.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de uma em cada seis pessoas enfrente infertilidade ao longo da vida. A idade feminina também tem relação direta com a quantidade e a qualidade dos óvulos, motivo pelo qual o histórico individual deve ser considerado antes de simplesmente esperar um ano.
Como é feita a avaliação
A análise pode ocorrer de forma simultânea para o casal. No homem, o espermograma costuma integrar a etapa inicial. Na mulher, a avaliação pode incluir o histórico menstrual e reprodutivo, além de exames específicos conforme cada situação.
O tratamento depende da causa identificada e pode envolver mudanças de hábitos, abordagens clínicas ou cirúrgicas e técnicas de reprodução assistida, como inseminação artificial e fertilização in vitro. Infertilidade não significa necessariamente impossibilidade definitiva de ter filhos.
Diante de uma dificuldade persistente para engravidar, a recomendação é buscar avaliação especializada e evitar exames ou tratamentos por conta própria, especialmente soluções caseiras. Para Pina, o diagnóstico orienta a conduta, e uma investigação individualizada ajuda a definir o caminho adequado para cada casal.







