A proporção de adultos que relatam diagnóstico de diabetes no Brasil mais que dobrou entre 2006 e 2024. O índice passou de 5,5% para 12,9%, um crescimento de 135%, conforme a edição mais recente do Vigitel, levantamento do Ministério da Saúde realizado nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.
No mesmo período, também aumentaram os registros de hipertensão, obesidade e excesso de peso. Os dados reforçam a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo, já que o diabetes pode evoluir sem manifestações evidentes por um longo período.
Fatores de risco e identificação
A endocrinologista Cintia Freitas Quintão, da Unimed Vitória, relaciona o aumento dos diagnósticos ao envelhecimento da população e à maior realização de testes. “O diabetes reflete o envelhecimento populacional e a maior testagem, mas também alerta para a urgência da prevenção”, afirma.
O diabetes tipo 2 representa cerca de 90% dos casos. Entre os fatores associados estão histórico familiar, sobrepeso ou obesidade, sedentarismo e hipertensão. Também são citados colesterol ou triglicerídeos elevados, diagnóstico prévio de pré-diabetes e síndrome dos ovários policísticos.
A doença é identificada por exames laboratoriais que medem a glicose no sangue. Entre os testes utilizados estão a glicemia de jejum, a hemoglobina glicada e o teste oral de tolerância à glicose.
Os sinais podem incluir tontura, dor de cabeça, visão turva, perda excessiva de peso, urina frequente e sede ou fome aumentadas. No entanto, a ausência de sintomas não elimina a necessidade de avaliação médica.
Tratamento e acompanhamento
A endocrinologista e metabologista Priscila Pessanha afirma que reconhecer os fatores de risco permite agir antes da progressão do quadro. O coordenador de Nefrologia da Rede Meridional, Sérgio Gobbi, recomenda alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, manutenção do peso em níveis saudáveis e acompanhamento médico para monitorar a glicose e tratar doenças associadas, como a hipertensão.
O radialista André Costa Pereira descobriu o diabetes tipo 2 há cerca de 20 anos, aos 48 anos, depois de apresentar perda de peso, sede excessiva e vontade frequente de urinar. Ele conta que perdeu 12 quilos em três meses. Na época, não fazia acompanhamento médico regular, embora seu pai tivesse a doença.
Após procurar atendimento, Pereira foi diagnosticado e levado de ambulância para um hospital. Atualmente, mantém acompanhamento periódico e usa medicamentos para controlar o diabetes.
O tipo 1 é uma doença autoimune em que o organismo não produz insulina e costuma surgir na infância ou juventude. Já o tipo 2 ocorre quando o corpo não utiliza bem a insulina ou não produz o suficiente. Para reduzir riscos e controlar a doença, as orientações incluem alimentação equilibrada, redução de açúcar e gorduras saturadas, exercícios regulares e consultas médicas.








