A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Aquipta (atogepanto) para prevenir crises de enxaqueca em adultos que têm pelo menos quatro dias de enxaqueca por mês. O medicamento é administrado em comprimidos e atua sobre o receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), envolvido na transmissão da dor e na fisiopatologia da doença.
A enxaqueca afeta cerca de 15% da população brasileira. No Espírito Santo, considerando a população acima dos 18 anos e a Projeção de População do IBGE 2026, a estimativa chega a 476 mil adultos.
O tratamento é voltado à prevenção das crises em pacientes com enxaqueca episódica ou crônica. A neurologista Marina Tanure explica que o atogepanto pertence à classe dos gepantes e bloqueia o receptor do CGRP, mecanismo relacionado ao surgimento da dor.
“Hoje, temos terapias direcionadas ao CGRP, incluindo os anticorpos monoclonais injetáveis e, mais recentemente, opções orais como o atogepanto”, afirmou Marina.
Como funciona o tratamento
De acordo com o neurologista Gabriel Baltazar, o uso preventivo costuma ser considerado para pessoas que apresentam crises frequentes ou incapacitantes. O medicamento não é destinado somente a casos refratários, embora tenha papel importante quando as dores são frequentes e não respondem a outras opções.
O neurologista Daniel Escobar destaca que já havia medicamentos de uma classe semelhante, mas com atuação direta na molécula CGRP. As opções anteriores eram injetáveis, enquanto o atogepanto é tomado por via oral, o que pode facilitar a adesão de alguns pacientes.
A Anvisa autorizou duas apresentações do Aquipta: comprimidos de 10 mg e de 60 mg, em caixas com 28 unidades. O medicamento também já recebeu aprovação nos Estados Unidos e na Europa. A AbbVie, farmacêutica responsável, informou que o produto ainda será avaliado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), que define os preços máximos dos medicamentos comercializados no Brasil.
Hábitos e fatores associados às crises
O controle da enxaqueca também envolve a rotina. Sono irregular, longos períodos sem comer, desidratação, estresse, sedentarismo e consumo excessivo de cafeína ou analgésicos podem dificultar o controle das crises em alguns pacientes.
Marina Tanure orienta manter regularidade no sono e nas refeições, hidratação adequada, atividade física e identificação dos fatores que desencadeiam as dores em cada pessoa. O uso excessivo de analgésicos pode aumentar a frequência da dor e contribuir para a cronificação da enxaqueca.
A doença costuma causar dor moderada ou forte, pulsátil, que piora com a movimentação. Também pode provocar intolerância à luz, ao barulho e a odores, além de náuseas e vômitos. Alimentos específicos podem ser gatilhos para alguns pacientes.
As flutuações hormonais são outro ponto de atenção. Segundo Daniel Escobar, as mulheres apresentam dois picos de incidência da enxaqueca: na puberdade e no climatério. As crises também podem ocorrer próximas ao ciclo menstrual, quando há variação do estrogênio.








