Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Sucessão familiar exige preparar diferentes papéis para preservar patrimônio

Marcia Dolores defende que famílias empresárias considerem perfis, interesses e capacidades distintos ao organizar a sucessão.

Sucessão familiar exige preparar diferentes papéis para preservar patrimônio

Cerca de US$ 90 trilhões acumulados pelos baby boomers e pela Geração X devem ser transferidos como herança nos próximos 20 a 30 anos. De acordo com o UBS, um quinto dos ativos globais está atualmente nas mãos de pessoas com mais de 75 anos.

Para Marcia Dolores, fundadora da Mardô Family House Integration, o principal erro das famílias empresárias é tentar encontrar um único sucessor capaz de ocupar a posição deixada pelo fundador ou pelo atual responsável. A psicóloga afirma que a sucessão precisa considerar diferentes funções dentro da família e do grupo empresarial.

Mais de um caminho para os herdeiros

Segundo Dolores, alguns herdeiros podem ter perfil executivo, enquanto outros podem atuar como empreendedores, administrar o patrimônio familiar ou receber rendimentos sem trabalhar diretamente na empresa. Para ela, o planejamento deve identificar essas possibilidades e preparar cada pessoa para o papel que pretende exercer.

A especialista também alerta para a tentativa de repetir modelos que funcionaram no passado. Em um estudo em conclusão, a maioria dos sucedidos teria deixado para pensar na sucessão em cima da hora. Com isso, procuram alguém que reproduza sua forma de administrar, sem considerar as habilidades e expectativas das novas gerações.

Uma pesquisa da Mardô baseada em 200 projetos de vida declarados por jovens entre 19 e 25 anos indica que 55% querem participar do negócio da família, mas com mais liberdade. De modo geral, esses herdeiros não veem a presença constante do proprietário como o único modelo de gestão e buscam maior equilíbrio.

A falta de envolvimento desde a infância, segundo Dolores, pode levar herdeiros a buscar atos de liquidez para deixar negócios com os quais nunca tiveram uma relação efetiva. Ela defende que os filhos sejam incluídos gradualmente nas conversas e conheçam os negócios antes de receber responsabilidades.

Preparação começa cedo

Entre os exemplos citados por Dolores estão as famílias ligadas ao grupo Votorantim e os Moreira Salles. No caso da Votorantim, a preparação dos herdeiros começa por volta dos cinco anos, com explicações adaptadas à idade sobre o significado de ser herdeiro e a responsabilidade relacionada ao legado familiar.

A especialista também relata o caso de uma família que incluiu uma neta de 12 anos nas discussões sobre sucessão. Em outra situação, um integrante que escolheu seguir a carreira artística encontrou espaço fora da empresa principal, recebendo dividendos e criando um negócio ligado à arte. A iniciativa passou a atrair integrantes da geração seguinte, com 13 a 15 anos.

Para Dolores, a continuidade de uma empresa por 100 ou 200 anos depende da capacidade de acompanhar mudanças no mercado e no comportamento das novas gerações. Jovens preparados podem contribuir para a criação de negócios, para a comunicação com públicos mais novos e para a preservação do patrimônio.

Participação das mulheres

Outro levantamento da Mardô aponta que 87% das mulheres que são esposas ou herdeiras em famílias de altíssimo patrimônio líquido não participam ativamente de decisões estratégicas. Dolores atribui esse afastamento à ideia de que a gestão dos negócios e dos recursos seria uma responsabilidade pesada demais para elas.

A especialista afirma que não é necessário trabalhar na empresa da família para participar da governança. Ainda assim, considera importante conhecer o negócio, os números, a participação de cada familiar, os dividendos distribuídos e os critérios usados para definir essa divisão.

Dolores cita o caso de uma empresa do agronegócio em que uma herdeira recebe dividendos defasados há 15 anos, enquanto a companhia cresceu. Sem acompanhar as decisões, ela não consegue identificar os motivos nem questionar a situação.

Na avaliação da especialista, a sucessão não deve ser organizada em torno de uma única cadeira. O planejamento precisa distribuir responsabilidades, preparar os herdeiros e permitir que diferentes perfis encontrem espaço na administração, na gestão patrimonial ou em atividades ligadas ao legado da família.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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