Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Felipe Salto propõe avaliar custo de benefícios tributários para títulos de crédito

Economista afirma que a taxa básica de juros pesa mais no custo do crédito do que a isenção de LCIs e LCAs.

A revisão dos benefícios tributários deve fazer parte do ajuste fiscal discutido depois das eleições de 2026, na avaliação de Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos e ex-diretor executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. Para ele, o debate precisa abranger títulos isentos e incentivos concedidos a empresas.

LCIs e LCAs não têm cobrança de imposto de renda sobre os rendimentos. Também estão entre os papéis beneficiados os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e as debêntures de infraestrutura. O estoque desses títulos ultrapassava R$ 2 trilhões ao final do primeiro semestre de 2026.

A isenção costuma ser justificada pelo objetivo de estimular o crédito imobiliário e o financiamento da infraestrutura e do agronegócio. Salto, porém, questiona se o benefício gera resultados suficientes para compensar a perda de arrecadação.

Avaliação dos incentivos

Em entrevista ao podcast Touros e Ursos, do Seu Dinheiro, o economista afirmou que as renúncias tributárias somam cerca de R$ 620 bilhões por ano. Esse conjunto inclui regimes especiais de tributação, entidades filantrópicas, a Zona Franca de Manaus, o Simples Nacional e títulos isentos.

Salto também contestou a ideia de que a isenção seja indispensável para reduzir o custo do financiamento da agricultura e da construção civil. Na avaliação dele, há outras formas de apoiar esses setores, sem tratar determinados incentivos como permanentes ou intocáveis.

O economista não propõe retirar o benefício de forma abrupta. Ele defende a análise de alternativas intermediárias e a aplicação do mesmo critério a todos os incentivos: verificar se os resultados econômicos justificam o valor que deixa de ser arrecadado.

Efeito dos juros sobre o crédito

Outro argumento apresentado por Salto é que o custo do financiamento imobiliário e rural depende mais da taxa básica de juros do que da isenção. Com a queda dos juros, o custo para quem toma crédito também diminuiria, mesmo sem o benefício tributário.

Por isso, a proposta não se limita ao fim da isenção de LCIs e LCAs. A discussão inclui CRIs, CRAs, debêntures e benefícios destinados a empresas. Para Salto, o tema deve ganhar espaço quando o próximo governo precisar apresentar medidas para melhorar a trajetória das contas públicas.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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