Um relatório da Polícia Federal aponta a suspeita de que o ministro Dias Toffoli tenha sido o beneficiário final ou o proprietário de fato do fundo de investimento Arleen. O fundo recebeu R$ 35 milhões de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e teria transferido os recursos para as Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe, por meio de uma operação com a holding Egide I.
O documento ficou sob sigilo durante sete meses, sob a relatoria do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. A PF afirma que reuniu elementos que, analisados em conjunto, indicariam a possível relação de Toffoli com o fundo e seus ativos. O ministro já negou amizade com Vorcaro e o recebimento de valores. Também ainda não havia se manifestado sobre a posse de recursos no exterior.
O Arleen era sócio do resort Tayayá, no interior do Paraná, empreendimento ligado à família de Toffoli. Conforme o relatório, o fundo pertencia a Vorcaro, mudou de proprietário e passou para um empresário amigo do ministro. Meses depois, seus ativos teriam sido transferidos para as Ilhas Virgens Britânicas.
Pagamentos relacionados ao resort
Toffoli é sócio da empresa Maridt, que tinha participação em resorts da rede Tayayá. Parte dessa participação foi vendida a fundos de investimento que tinham Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como acionista.
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou a Zettel sobre os repasses ao resort. “Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá? Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro. Em agosto de 2024, voltou a cobrar informações sobre o negócio. Zettel respondeu que havia transferido o dinheiro ao intermediário responsável pelo pagamento e que o aporte final dependia dessa pessoa.
Nas mensagens, Vorcaro também pediu um levantamento dos aportes feitos no Tayayá. Zettel respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões”. O relatório da PF relaciona essas movimentações ao repasse de R$ 35 milhões e à posterior transferência de ativos para o exterior.







