BELÉM — O preço do açaí caiu pelo quarto mês consecutivo em Belém, conforme levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA). A redução registrada em agosto acompanha o avanço da safra regional e a recuperação gradual da oferta após a entressafra.
Na Feira da 25, em setembro, o litro do açaí grosso é vendido por R$ 26, enquanto o tipo branco custa R$ 28. O valor do tipo grosso está abaixo da média de R$ 43,11 calculada pelo Dieese para agosto, mas permanece dentro da faixa encontrada nas feiras livres da capital.
Queda nos preços médios
O açaí tipo médio passou de R$ 29,82 por litro em julho de 2026 para R$ 27,10 em agosto, uma redução de 9,12%. No acumulado de 2026, a queda chega a quase 6%. Na comparação com agosto de 2025, o recuo foi de 4,17%.
Já o tipo grosso caiu de R$ 46,84 em julho para R$ 43,11 em agosto, redução de quase 8%. Mesmo assim, o produto acumula alta de quase 3% no ano e reajuste próximo de 10% em 12 meses. Em agosto de 2025, o preço médio era de R$ 39,33.
Nas feiras livres, o litro do tipo médio variou entre R$ 16 e R$ 30 na última semana de agosto. Nos supermercados, ficou entre R$ 24 e R$ 36. Para o tipo grosso, os preços foram de R$ 30 a R$ 50 nas feiras e de R$ 33,99 a R$ 58 nos supermercados.
Oferta maior, demanda ainda elevada
De acordo com o Dieese/PA, o aumento da oferta relacionado à safra regional puxou os preços para baixo. A entressafra anterior e a elevação dos custos de produção, transporte e comercialização, porém, continuam influenciando os valores.
Vendedores também relacionam a redução menos intensa ao crescimento das exportações, do consumo interno e do número de lojas especializadas. Leoclides Andrade, comerciante da Feira da 25, afirma que a procura impede uma queda mais acentuada: “A demanda é grande, da exportação. A exportação leva muito açaí”.
O comerciante diz que a variação na oferta de caroço altera rapidamente o custo de compra. Durante o inverno, uma lata pode custar entre R$ 60 e R$ 90, dependendo da procedência e da qualidade. Em situações mais críticas, o preço chega a R$ 150, R$ 200 ou R$ 230.
Expectativa para os próximos meses
O Dieese prevê novas quedas durante a safra, com o aumento da oferta, desde que não ocorram problemas climáticos, logísticos ou novas pressões sobre os custos de comercialização.
Para os vendedores, o comportamento dos preços dependerá do equilíbrio entre a quantidade disponível e a demanda. Leoclides afirma que reduzir demais o valor pode afetar o padrão de qualidade do produto.
Consumidores também relatam preços menores. A contadora Sandra Nunes afirma que passou a pagar entre R$ 15 e R$ 18 pelo litro do tipo médio, ante valores entre R$ 30 e R$ 35. Apesar da queda, o Dieese destaca que o açaí grosso continua acima do preço do mesmo período do ano anterior e acumula reajuste superior à inflação de 3,98% medida pelo INPC/IBGE em 12 meses.







