BELÉM — O Pará registrou crescimento de 4,8% nos empregos formais de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) entre 2023 e 2025. O estado chegou a 9.198 postos no setor, com salário médio de R$ 2.755, conforme o Relatório de Regionalização dos Empregos CLT de TIC, divulgado pela Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom).
A Região Norte teve a maior expansão do mercado formal de TIC no país no período, com alta acumulada de 5,4%. Entre 2024 e 2025, o avanço regional foi de 2,4%, acima dos índices registrados no Sul, de 2%, e no Sudeste, de 1,8%. Ao todo, a região reúne 36.079 empregos formais no setor, com remuneração média de R$ 2.715.
Distribuição dos empregos na região
O Amazonas lidera entre os estados nortistas, com 20.139 empregos formais, mais de 55% dos postos da região. O estado teve crescimento de 6,4% entre 2023 e 2025 e salário médio de R$ 2.770.
O Pará aparece na sequência. Em Belém, a atividade de tecnologia se relaciona a áreas como logística e bioeconomia. Rondônia tem 2.491 empregos formais em TIC, enquanto o Tocantins soma 2.165 e registrou alta de 5,9% entre 2023 e 2025.
Roraima reúne 739 postos, seguido pelo Acre, com 695, e pelo Amapá, com 649. Mesmo com o menor número de vínculos, o Amapá teve crescimento de 4,7% no período e salário médio de R$ 2.818, o maior entre os estados da região com menos empregos formais.
Qualificação e remuneração
O cientista e engenheiro da computação Rafael Alfaia relaciona o aumento dos empregos à adoção de tecnologia por empresas e instituições. Segundo ele, sistemas de gestão, automação, ferramentas de alto desempenho e outras soluções digitais passaram a integrar a rotina de organizações que antes dependiam mais de processos manuais.
O profissional, que também é professor universitário, avalia que ainda é necessário cautela para classificar o avanço como uma mudança estrutural consolidada. Entre os pontos que limitam a expansão, ele cita infraestrutura, investimentos, presença de grandes empresas do setor e distância dos principais centros de inovação do país.
Para disputar oportunidades, Alfaia aponta a importância de conhecimentos em lógica de programação, desenvolvimento de software, banco de dados, APIs, Git e GitHub, fundamentos de cloud e segurança. Inglês técnico, comunicação, capacidade de resolver problemas e um portfólio também são considerados relevantes.
A remuneração média é um ponto de atenção para o especialista, que considera baixo o valor de R$ 2.715 diante do nível de conhecimento, responsabilidade e atualização exigidos na área. Entre os temas que demandam acompanhamento contínuo estão novas ferramentas, linguagens, segurança, computação em nuvem e inteligência artificial.
A engenheira de software Hilma Carla Castro, 30, de Belém, trabalha há cinco anos no setor. Ela afirma que empresas locais, comércios e órgãos públicos buscam digitalizar suas atividades, ampliando as oportunidades para profissionais capazes de criar sistemas, automatizar processos e trabalhar com dados.
Entre as áreas com maior procura estão desenvolvimento de software, inteligência de dados e automação de processos. Hilma também destaca o trabalho remoto como possibilidade de atendimento a empresas do Brasil e do exterior sem a necessidade de mudança de cidade.
Na avaliação da engenheira, uma das dificuldades está na diferença entre a formação teórica e as exigências práticas do mercado. Profissionais recém-formados podem encontrar obstáculos com ferramentas modernas, metodologias ágeis e a necessidade de entregar soluções rápidas. A exigência de experiência prévia também pode dificultar o primeiro emprego e a transição de carreira.







