Contagem, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Finanças da casa

Mulheres ampliam presença na B3, mas poupança segue líder entre os investimentos

Pesquisa mostra avanço feminino na bolsa e aponta impacto da renda, da maternidade e dos gastos da casa nas decisões financeiras.

Mulheres ampliam presença na B3, mas poupança segue líder entre os investimentos

A participação das mulheres na bolsa brasileira cresceu 83% nos últimos cinco anos e já supera 1,48 milhão de investidoras, segundo o levantamento “Elas Pagam a Conta”, da Think Olga & Eva, divulgado durante o evento Fin4She. Mesmo com esse avanço, a poupança continua sendo o investimento mais comum entre elas.

A pesquisa indica que 31,6% das mulheres aplicam na caderneta, enquanto a proporção entre os homens é de 27,2%. No mercado de ações, a presença feminina ainda é menor: 1,5% das mulheres investem nesse tipo de ativo, diante de 4,9% dos homens. No Tesouro Direto, estima-se que mais de 1 milhão de mulheres tenham investimentos.

Por que a carteira feminina é mais conservadora

De acordo com o estudo, a preferência por investimentos considerados mais seguros está relacionada ao destino do dinheiro, e não necessariamente à disposição das mulheres para assumir riscos. Dirlene Silva, economista e fundadora da DS Estratégias de Educação e Inteligência Financeira, afirmou que parte dos recursos administrados por elas é destinada à família.

“O dinheiro dos homens é deles. O dinheiro das mulheres é da família”, disse Dirlene Silva durante o evento. Segundo ela, valores reservados para objetivos como a faculdade do filho não podem ser perdidos, o que reduz a possibilidade de escolha por aplicações mais arriscadas.

Nana Lima, diretora-executiva da Think Olga & Eva, apontou ainda o tamanho do patrimônio como uma barreira para a entrada feminina na bolsa. A pesquisa mostra que 47,5% das mulheres têm ensino superior, contra 17,8% dos homens, mas elas recebem, em média, um salário 21% menor quando ocupam o mesmo cargo.

Entre as pessoas mais ricas, as mulheres representam 31%, enquanto os homens são 69%. A maternidade também reduz o dinheiro disponível para investir. O nascimento do primeiro filho provoca um impacto de 24% no salário da mulher. Entre mães com três ou mais filhos, essa taxa chega a 40%.

Gastos da casa pressionam o orçamento

O levantamento relaciona o endividamento feminino principalmente a despesas necessárias para a sobrevivência e a manutenção do lar, e não ao consumo. Nana Lima afirmou que os chamados gastos invisíveis, como o lanche do filho e a cartolina para um projeto escolar, pesam no orçamento por serem pequenos e espalhados ao longo do mês.

Como essas despesas variam, muitas vezes não entram na planilha da família. Isso dificulta o controle e pode reduzir a capacidade de poupar e formar patrimônio. Para as autoras da pesquisa, esses custos também ajudam a explicar por que muitas mulheres chegam ao fim do mês com menos dinheiro disponível.

O Mapa da Inadimplência do Serasa de abril de 2026 apontou equilíbrio entre os gêneros no endividamento: 49,4% das pessoas inadimplentes são homens e 50,6% são mulheres. Entre as mulheres endividadas, 86% têm débitos no cartão de crédito. As despesas mais citadas são supermercado, com 59%, e remédios ou tratamentos médicos, com 42%.

Apesar disso, as mulheres fecham 25% mais acordos de renegociação do que os homens e quitam 11,6% mais dívidas.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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