Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Abertura comercial não garantiu convergência de renda no México

A comparação com o Grupo de Visegrado sugere que instituições, educação e competição foram decisivas para transformar integração em produtividade.

Abertura comercial não garantiu convergência de renda no México

A liberalização comercial aproximou o México dos Estados Unidos e do Canadá, mas não levou o país a convergir em renda com os americanos. Desde a criação do NAFTA, em 1994, o México cresceu menos que o Brasil, apesar de ter registrado forte expansão nos primeiros anos do acordo e no período posterior à chamada Crise Tequila.

A trajetória foi diferente nos países do Grupo de Visegrado — Polônia, Hungria, Chéquia e Eslováquia. A integração iniciada em 1990 resultou na entrada dessas economias na União Europeia em 2004. Ao longo de 30 anos, os quatro países avançaram substancialmente, aproximando sua renda média do padrão europeu.

A diferença entre os modelos de integração

O NAFTA reduziu ou eliminou tarifas e protegeu investimentos. A integração europeia também incluiu a criação de um mercado único de serviços, a livre circulação de capital e pessoas e mudanças institucionais exigidas dos países candidatos.

Na América do Norte, parte da conexão entre os mercados de trabalho ocorreu por meio da imigração mexicana para os Estados Unidos e das remessas enviadas ao México. Como esse movimento não se deu, em grande medida, dentro de um mercado de trabalho formalmente integrado, o mecanismo foi menos eficiente.

A União Europeia, por sua vez, condicionou a entrada dos países candidatos a uma transformação profunda de suas instituições. A comparação, portanto, não envolve apenas abertura comercial: também considera a profundidade da integração e as condições internas de cada economia.

Informalidade e educação

Um dos obstáculos mexicanos está no tamanho da economia informal. Segundo o INEGI, ela reúne cerca de 55% da força de trabalho, o maior percentual entre os países da OCDE. Na Polônia, o indicador fica abaixo de 9%.

Empresas informais têm menos acesso a crédito, tecnologia, mercados externos e práticas de gestão. A presença elevada dessas empresas limita a eficiência e dificulta o aumento da produtividade.

A educação também avançou menos no México. De acordo com a Unesco, entre 2000 e 2024 o país acrescentou 2,5 anos de escolaridade à população com mais de 25 anos. A média mexicana chegou a cerca de 10 anos, praticamente o mesmo nível do Brasil, que ampliou sua escolaridade em 4 anos no mesmo intervalo. No Leste Europeu, a média está em torno de 13 anos.

A concentração e as barreiras à entrada em setores como energia, telecomunicações, cimento e combustíveis também podem limitar os ganhos de produtividade, tanto em mercados públicos quanto privados.

Investimento não foi o principal problema

A formação bruta de capital fixo mexicana ficou próxima de 23% no período, acima da registrada nos Estados Unidos e no Brasil e em nível semelhante ao do Grupo de Visegrado. Isso indica que o México investiu uma parcela relevante do Produto Interno Bruto.

O problema apontado pela comparação é a capacidade de transformar investimento em crescimento. A questão estaria menos no volume aplicado e mais na eficácia desse investimento.

A experiência mexicana sugere que a liberalização comercial é importante, mas não basta para produzir convergência de renda. Instituições, capital humano, competição e integração econômica mais profunda podem ser necessários para converter a abertura em ganhos de produtividade.

Desafios recentes

Entre o fim do governo de Andrés Manuel López Obrador e os primeiros meses do governo de Claudia Sheinbaum, o México aprovou reformas que incluíram a eleição de juízes em todos os níveis, a eliminação de agências reguladoras e a transferência de suas funções para órgãos do governo. Também houve o fortalecimento do papel das empresas estatais no setor elétrico.

O país ainda enfrenta a pressão de Donald Trump por uma renegociação do USMCA em termos mais favoráveis aos Estados Unidos e dificuldades para controlar a criminalidade.

A comparação com o Grupo de Visegrado não é perfeita, porque os países do Leste Europeu partiram de condições institucionais e econômicas específicas após a transição do socialismo. Ainda assim, os dois processos ajudam a observar como diferentes formas de integração influenciaram economias emergentes ao longo de períodos semelhantes.

Um México mais rico, produtivo e institucionalmente sólido também seria de interesse dos Estados Unidos, por sua posição ao sul do país e por sua participação nas cadeias produtivas americanas.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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