O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e afirmou que Donald Trump adota práticas comerciais unilaterais. Em entrevista à jornalista Christiane Amanpour, âncora da CNN Internacional, Lula defendeu o multilateralismo e disse que o comércio entre os países deve ser equilibrado.
A entrevista foi gravada na manhã desta segunda-feira, 21, e exibida à tarde. Para Lula, o unilateralismo prejudica a harmonia nas relações comerciais e favorece uma lógica baseada na força militar e econômica entre as nações.
“O comportamento do presidente Trump tem um viés muito forte em favor do unilateralismo”, declarou o presidente brasileiro. Em seguida, afirmou que considera perigosa essa forma de conduzir as relações internacionais.
Questionado sobre a afirmação de que Trump age como um imperador, Lula respondeu, em tom de brincadeira: “Ele age como um imperador”. Depois, explicou que não concorda com um estilo de governo baseado na ideia de que um país é o mais forte.
Negociação e tarifas
Durante a conversa, Lula disse que o Brasil busca novos parceiros comerciais, mas pretende continuar negociando com os Estados Unidos. O presidente afirmou que é cauteloso ao avaliar a aplicação da Lei de Reciprocidade e que não pretende usá-la enquanto houver negociações.
Lula também declarou que o governo brasileiro não quer confrontar Trump nem interferir em assuntos domésticos dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, disse que o governo norte-americano não pode governar outros países.
O presidente chegou a Nova York no domingo 20. Nesta terça-feira, 22, fará o discurso do Brasil na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas. Não havia confirmação de um encontro bilateral com Trump.
Os Estados Unidos mantêm uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A medida foi aplicada em 22 de julho, sob a justificativa de punição por práticas comerciais consideradas desleais, após uma investigação que incluiu temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia.
Em 24 de julho, Trump estabeleceu uma sobretaxa de 12,5% como resposta a uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA sobre a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
O governo brasileiro informou à Organização Mundial do Comércio que as medidas são incompatíveis com as regras do comércio internacional e questionou a consistência das investigações que fundamentam as tarifas.








