A coleção de obras raras do Instituto Cultural Amilcar Martins é apresentada no livro “As Joias da Coroa”, publicação que reúne informações sobre itens históricos preservados pela instituição. O acervo inclui livros, opúsculos, periódicos, mapas e manuscritos relacionados à história de Minas Gerais.
Com 25 anos de atuação, o Instituto Cultural Amilcar Martins (Icam) reúne mais de 15 mil títulos e mantém a maior biblioteca especializada em história de Minas Gerais já catalogada. A instituição também integra o programa Memory of the World, da Unesco, voltado ao reconhecimento de conjuntos documentais de valor histórico para a humanidade.
Coleção de obras raras
Formada por 1.807 títulos dos séculos XVIII, XIX e das primeiras décadas do século XX, a coleção foi reconhecida pela Unesco em 2016. O conjunto foi o primeiro acervo bibliográfico brasileiro a receber esse reconhecimento no programa Memory of the World.
O livro seleciona vinte obras para representar a diversidade da coleção, com base em referências de especialistas brasileiros e estrangeiros em bibliografia, história e bibliofilia. A publicação também explica que a raridade de um exemplar não é definida apenas por sua antiguidade. Edição, autoria, local e data de publicação, características físicas, ilustrações, encadernação, dedicatórias, estado de conservação e marcas de propriedade também entram nessa avaliação.
Entre os itens preservados estão a primeira edição de “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga, publicada em 1792; “Obras Completas”, de Cláudio Manuel da Costa; “O Uraguay”, de Basílio da Gama; e um manuscrito do poema “Vila Rica”, de Cláudio Manuel da Costa, datado de 1773. A coleção também reúne dois dos apenas três poemas que Alvarenga Peixoto publicou em vida.
Temas do acervo
As obras registram a influência da religião católica na vida dos mineiros no século XVIII, com referências às festas barrocas de Vila Rica e Mariana, como “Triunfo Eucarístico” e “Áureo Trono Episcopal”. Há ainda registros da medicina praticada em Minas no período colonial, incluindo o “Erário Mineral”, de Luís Gomes Ferreira, e relatos sobre as supostas curas da Lagoa Grande, atual Lagoa Santa.
A história política aparece em materiais sobre a Guerra dos Emboabas, a Revolta de Vila Rica e a Inconfidência Mineira. Relatos de John Mawe e Auguste de Saint-Hilaire tratam da natureza, da sociedade e dos costumes mineiros no século XIX.
A programação pelos 25 anos do Icam será realizada no dia 21 de setembro, em solenidade na Academia Mineira de Letras. Além da biblioteca, o instituto promove seminários, exposições, cursos de conservação e restauro de livros e documentos, ações de digitalização e publicações sobre a história de Minas Gerais.
A Biblioteca do Instituto Cultural Amilcar Martins é aberta ao público e funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h.







