Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Finanças da casa

Light encerra recuperação judicial e mira crédito e investimentos até 2030

Com a dívida líquida reduzida e novo plano de concessão, companhia prevê ampliar investimentos e aguarda revisão tarifária em 2027.

Light encerra recuperação judicial e mira crédito e investimentos até 2030

A Light deixou a recuperação judicial ontem à noite, depois de mais de três anos sob esse regime. A conclusão formal ocorreu após a empresa cumprir as principais etapas do plano, entre elas um aporte de R$ 1,5 bilhão e a troca de aproximadamente R$ 2,2 bilhões em dívidas por participação acionária.

A companhia de energia do Rio de Janeiro atravessa a mudança enquanto executa o maior programa de investimentos de sua história: R$ 10 bilhões até 2030. A saída da recuperação judicial pode facilitar a obtenção de crédito, diminuir o custo de financiamento e fazer com que fundos e analistas voltem a acompanhar a empresa.

Alexandre Nogueira, CEO da Light, afirmou que a companhia está deixando a recuperação judicial em uma posição fortalecida.

Dívida e acesso ao financiamento

A Light entrou em recuperação judicial em maio de 2023, quando tinha mais de R$ 10 bilhões em dívida líquida. Após as operações previstas no plano, esse valor caiu para cerca de R$ 5 bilhões. A alavancagem está abaixo de 3x EBITDA, e a administração espera reduzi-la para menos de 2x após a revisão tarifária do começo do ano que vem e com o aumento da geração de caixa, segundo o CFO Leonardo Gadelha.

A melhora financeira já influenciou as avaliações de risco. Em agosto, a Fitch elevou a classificação nacional da Light de D, associada a default, para BB, com perspectiva estável. Na escala global, a nota passou de D para B-.

Gadelha prevê que o custo adicional de novas captações possa ficar pela metade do que seria cobrado durante a recuperação judicial. A Fitch, porém, mantém uma avaliação mais cautelosa: considera limitado o acesso da empresa a financiamentos e projeta que os novos empréstimos ainda custem significativamente mais que a média do setor no curto prazo.

A retomada também alcança o mercado de ações. Grandes fundos haviam deixado de acompanhar a companhia, enquanto algumas instituições interromperam a cobertura do papel. De acordo com Gadelha, as casas estão retomando esse acompanhamento, e a Light começará a promover roadshows para se aproximar novamente de investidores locais e internacionais.

Concessão e perdas de energia

A situação financeira é apenas uma parte do desafio. A empresa ainda precisa melhorar a sustentabilidade econômica da concessão, e Nogueira aponta a revisão tarifária de março de 2027 como o próximo marco relevante.

Atualmente, a diferença entre as perdas reais de energia e o volume aceito pela regulação reduz em cerca de R$ 1 bilhão o EBITDA anual da Light. O contrato de concessão, renovado em 2026 por mais 30 anos, passou a considerar áreas de risco em que a atuação de equipes é dificultada por tráfico e milícias. Nessas regiões, combater o furto de energia e a inadimplência também é mais difícil.

A Fitch estima que o limite regulatório de perdas possa subir para 58% do mercado de referência em 2027, ante 43% hoje. Para a agência, cada ponto percentual adicional reconhecido representa cerca de R$ 30 milhões a mais no EBITDA da distribuidora. Com isso, o impacto das perdas poderia recuar de cerca de R$ 1,2 bilhão neste ano para R$ 620 milhões em 2027.

A revisão tarifária será relevante para o plano de investimentos. A Light prevê aplicar R$ 10 bilhões até 2030, quase todo o montante na distribuição, e estima desembolsar cerca de R$ 1,7 bilhão somente este ano.

Modernização da rede

A empresa também defende, na ANEEL, uma mudança na forma de reconhecer os investimentos nas tarifas. Atualmente, uma distribuidora pode fazer o desembolso no começo do ciclo e esperar anos até que o capital investido passe a ser considerado na remuneração. Para a Light, alterar esse intervalo será necessário para manter o programa sem voltar a pressionar o balanço.

Nogueira afirmou que a empresa ampliou os investimentos e melhorou a operação durante a recuperação judicial sem contratar nenhum DIP. Na Ilha do Governador, por exemplo, foram aplicados mais de R$ 300 milhões depois que um cabo essencial chegou ao limite técnico.

A região recebe energia por uma rede subterrânea de alta tensão que conecta o continente à ilha sob a Baía de Guanabara. Em janeiro de 2024, uma falha em uma das linhas interrompeu o fornecimento para dezenas de milhares de consumidores. A Light instalou 160 geradores e passou a produzir no Brasil um equipamento que antes era fabricado na China.

A reorganização operacional ainda não terminou. O CEO disse que todos os processos e sistemas estão sendo revisados e que a conclusão desse trabalho só deve ocorrer no fim de 2028.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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