Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
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IA da OpenAI apresenta possível solução para problema de Navier-Stokes

Sistema reuniu milhares de agentes para construir uma demonstração que ainda precisa ser analisada por matemáticos independentes.

IA da OpenAI apresenta possível solução para problema de Navier-Stokes

A OpenAI anunciou que uma inteligência artificial pode ter encontrado uma solução para o problema de Navier-Stokes, um dos sete Problemas do Milênio. A demonstração ainda precisa passar pelo exame de matemáticos independentes e pelo processo de reconhecimento do Clay Mathematics Institute.

As equações de Navier-Stokes descrevem o movimento de fluidos, como a água em um cano, o ar ao redor de uma asa, o sangue em uma artéria e as correntes atmosféricas. Elas são conhecidas desde o século XIX, mas permanecia em aberto a possibilidade de surgirem singularidades: pontos em que a velocidade do fluido cresce sem limite em tempo finito.

A configuração construída pelo sistema parte de um fluido inicialmente regular e mostra a formação de um vórtice cada vez mais fino e veloz, até que a velocidade diverge. Se a demonstração estiver correta, ela resolve uma das formulações oficiais do problema. Desde a criação da lista, em 2000, esse seria apenas o segundo problema solucionado e o primeiro cuja resposta teria sido encontrada essencialmente por máquinas.

Como a pesquisa foi conduzida

A OpenAI não usou apenas um sistema para responder a uma pergunta. Cerca de 10 mil agentes de inteligência artificial trabalharam em paralelo, explorando abordagens, escrevendo código, testando hipóteses e compartilhando resultados.

Parte dos agentes foi direcionada às equações de Euler, relacionadas ao problema principal. Os avanços obtidos nesse trabalho ajudaram a orientar a busca por uma solução para Navier-Stokes. O Codex, agente de programação da OpenAI, consolidou os resultados mais promissores e os redistribuiu aos demais grupos.

Depois de cerca de 88 horas, o sistema chegou à demonstração. O processo envolveu 2,7 milhões de mensagens e aproximadamente 130 bilhões de tokens. A OpenAI não informou o custo da operação. Como referência ilustrativa, a compra desse volume de tokens pelo preço de tabela do GPT-6 Astra custaria US$ 6,5 milhões. A empresa afirma que o modelo usado na pesquisa é interno e significativamente mais avançado que o Astra.

A demonstração foi formalizada e verificada em Lean, linguagem usada para conferir provas matemáticas passo a passo.

Questionamentos sobre os dados usados

A prova ainda precisa ser publicada, revisada e aceita pela comunidade matemática antes de ser reconhecida oficialmente pelo Clay Mathematics Institute.

Também há uma discussão sobre a origem dos dados que poderiam ter contribuído para o resultado. Tristan Buckmaster, da NYU, e Levent Alpöge, da Anthropic, pesquisavam questões próximas e usavam o Codex. Buckmaster levantou a possibilidade de o novo modelo ter acessado sessões privadas da dupla ou ter sido treinado com esse material.

A OpenAI afirma que seus pesquisadores e agentes não tiveram acesso ao trabalho dos dois antes da publicação e que nenhum dado específico desses usuários foi consultado. A empresa diz, porém, que não pode descartar a contribuição eventual de dados anonimizados de uso para o aprimoramento dos modelos. Até o momento, a acusação mais grave não foi comprovada.

O prêmio para a solução de Navier-Stokes é de US$ 1 milhão. O aspecto central do caso, contudo, está na possibilidade de uma inteligência artificial produzir conhecimento matemático novo, em vez de apenas reproduzir informações já existentes.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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