VITÓRIA — A Inteligência Artificial deve atingir com mais força os gerentes que atuam apenas em tarefas burocráticas, como repassar informações, consolidar relatórios e aprovar procedimentos padronizados. A avaliação é de Idalberto Chiavenato, especialista em Administração e Gestão de Pessoas, que participou nesta quinta-feira (17) do II Fórum Capixaba de Administração, promovido pelo Conselho Regional de Administração do Espírito Santo (CRA-ES).
Para Chiavenato, o gerente que não toma decisões, não desenvolve pessoas e não mantém contato direto com clientes tende a perder espaço. Segundo ele, a automação começou a avançar sobre a camada intermediária das organizações, enquanto o trabalho operacional puro ainda enfrenta barreiras físicas para ser substituído.
Liderança e jornadas de trabalho
O especialista também criticou o modelo de chefia baseado em controlar a presença, aprovar cada detalhe e medir a dedicação pelo tempo passado na empresa. Na avaliação dele, esse formato foi criado para a indústria do começo do século XX e prejudica o trabalho baseado em conhecimento.
Como alternativa, defendeu uma liderança capaz de esclarecer onde a organização está, para onde vai, por que seus objetivos importam e o que é esperado de cada profissional. Para ele, essas respostas ajudam a manter a coesão sem depender de controle constante.
Chiavenato afirmou ainda que jornadas de 10 ou 12 horas são, quase sempre, sinal de problemas na gestão. Entre as possíveis falhas, citou equipes mal dimensionadas, prioridades pouco definidas, desenho inadequado do trabalho e confusão entre presença e produtividade.
Salários, formação e novas gerações
Na avaliação do especialista, a dificuldade para encontrar profissionais não pode ser atribuída apenas à falta de qualificação. Ele reconheceu que existem lacunas de formação e que as empresas oferecem pouca capacitação continuada, mas criticou organizações que pagam abaixo do mercado, exigem experiência excessiva para vagas iniciais e adotam processos seletivos longos.
Para Chiavenato, profissionais qualificados tendem a procurar concorrentes quando recebem salários baixos. Ele também afirmou que os líderes e as empresas ficaram para trás na relação com as gerações mais jovens, que têm mais informação, opções e menor tolerância à incoerência.
A expressão “vestir a camisa da empresa”, segundo ele, perdeu força porque o antigo acordo de estabilidade entre empregado e empresa deixou de existir. Em seu lugar, defendeu uma relação baseada em propósito e resultado, sem exigir lealdade cega.
Considerado uma referência no ensino de Administração, Chiavenato é autor de 53 obras, adotadas no Brasil e em outros 23 países. Ele é doutor e mestre em Administração pela City University Los Angeles e ocupa a cadeira nº 48 da Academia Brasileira de Ciências da Administração.








