O empreendedorismo entre pessoas mais velhas foi um dos destaques do seminário “Tendências do Empreendedorismo no Brasil”, promovido pelo Sebrae nesta quarta-feira (16). Dados apresentados no encontro mostram que 16,5% dos empreendedores brasileiros têm 60 anos ou mais, enquanto cerca de 4 milhões de pessoas entre 65 e 74 anos estão empreendendo.
Desse total estimado, 1,5 milhão está em estágio inicial e 2,4 milhões já mantém negócios estabelecidos há mais de 3,5 anos. Cerca de 63% dos empreendedores seniores afirmam empreender por oportunidade, e não por necessidade. O mesmo percentual foi registrado entre os jovens de 18 a 34 anos.
Perfil e desafios do empreendedor sênior
Entre os empreendedores de 65 a 74 anos, 51% têm ensino superior completo e 70% apresentam rendimentos mais elevados em relação à média geral. A participação feminina, de 38%, e a baixa diversidade aparecem entre os desafios apontados pela pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2024/2025).
Nos negócios estabelecidos, 64% dos empreendedores são brancos e 33%, pretos ou pardos. Entre os negócios iniciais de seniores, a distribuição indicada pela pesquisa é diferente: 57% dos empreendedores são pretos ou pardos e 38%, brancos.
A busca por maturidade operacional e segurança financeira também aparece associada ao interesse desse público pelo sistema de franchising. A participação de empreendedores seniores ocorre tanto como franqueadores, com percentuais de 9% e 8%, quanto como franqueados, com 5% entre os negócios iniciais.
José Ramalho, responsável pela franquia R-Crio Células Tronco, afirmou que modelos de negócios testados atraem esse grupo. “Esses são modelos validados, testados, com mais segurança financeira para quem está investindo suas economias de vida”, disse. Entre os setores mais buscados estão residenciais seniores, cuidadores de idosos e academias cognitivas.
Inteligência artificial entre os negócios iniciais
A pesquisa também mostrou a importância crescente da inteligência artificial para empreendedores em estágio inicial, com até 3,5 anos de atividade. Para 74% deles, a tecnologia será decisiva na inovação voltada à criação de novos produtos e serviços. Outros 73% projetam avanços significativos na personalização do atendimento ao cliente.
O WhatsApp é adotado por 94% dos empreendedores brasileiros, enquanto as mídias sociais aparecem entre 75%. Já os canais tradicionais de comércio eletrônico e os sites próprios foram citados como prioridade por 35% dos entrevistados.
A intenção de uso da inteligência artificial é maior entre pessoas de 18 a 34 anos, faixa que concentra 84% das intenções. O Brasil aparece na terceira posição entre os empreendedores iniciais e na sétima entre os estabelecidos no ranking de intenção de ampliar o uso de tecnologias digitais.
Segurança e privacidade de dados são preocupações para 51% dos empreendedores iniciais e 54% dos estabelecidos. O país ocupa a 8ª posição global entre aqueles em que os empreendedores mais temem o aumento de custos operacionais e a complexidade técnica da implementação da inteligência artificial.
Pesquisa e seminário
A GEM é realizada no Brasil em parceria entre o Sebrae e a Associação Nacional de Estudos em Empreendedorismo e Gestão de Pequenas Empresas (Anegepe). A pesquisa é feita em 110 países e, no Brasil, reuniu 2.350 entrevistas com pessoas adultas de 18 a 64 anos no ano passado.
O levantamento considera empreendedores nascentes, que nos últimos 12 meses realizaram alguma ação para ter um negócio próprio ou têm uma empresa com até 3 meses de operação; novos, com 3 meses; e estabelecidos, com mais de 3,5 anos de atividade. Durante o seminário, também foi lançado o e-book “Empreendedorismo no Brasil 2025”.







