A Energisa está ampliando sua atuação no mercado de gás natural e identifica novas oportunidades de crescimento ligadas à construção de termelétricas e à instalação de data centers. A avaliação da companhia é que esses projetos devem exigir investimentos adicionais nas redes de gás e gerar receitas para as concessionárias no futuro.
O grupo entrou nesse segmento em 2023, quando comprou a ES Gás, concessionária do Espírito Santo. Em 2024, adquiriu 51% da Norgás, empresa com participação em distribuidoras de Alagoas, Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Expansão da base de clientes
A Energisa afirma que o mercado de gás ainda tem baixa cobertura nas áreas em que atua. No Espírito Santo, 94% da população não está conectada à rede. Nos estados do Nordeste atendidos pela Norgás, o percentual chega a 97%.
Na ES Gás, o número de clientes cresceu 28% nos últimos três anos e alcançou 100 mil. Na Norgás, a base de consumidores avançou 16,5% em dois anos, chegando a 282 mil.
Fabio Bertollo, presidente dos negócios de gás da Energisa, afirmou que a empresa vê semelhanças entre a distribuição de gás e a de eletricidade, mas considera que o primeiro mercado ainda está em uma etapa inicial. A estratégia é atuar como uma “multi-utility”, com operações nos dois segmentos de energia.
Além da expansão orgânica, a companhia considera realizar fusões e aquisições. O gás canalizado atende indústrias, comércio e residências, e o desempenho do mercado teria superado as expectativas iniciais da empresa.
Termelétricas e data centers
Em março, o Governo realizou um leilão de energia para contratar usinas a gás destinadas a reforçar o sistema elétrico, principalmente nos períodos de maior demanda. A Energisa espera que novas licitações sejam realizadas nos próximos anos.
Os projetos contratados nas áreas da ES Gás e da Norgás nesse leilão devem gerar valor presente líquido de R$ 367 milhões para a companhia. O montante está relacionado aos investimentos em infraestrutura necessários para atender às usinas e às receitas futuras das concessionárias.
Os data centers também são vistos como possíveis impulsionadores da expansão das redes. Essas instalações têm alto consumo de energia, e o programa de incentivos do Governo, o Redata, passou a considerar projetos associados a fontes de energia de baixa emissão após a ampliação do texto aprovado no Senado.
A regulamentação ainda está em disputa. Enquanto representantes das fontes renováveis pressionam para limitar a participação do gás, a Energisa defende o uso de termelétricas como fonte de energia firme para os data centers. “Queremos nos colocar como alguém que pode prover esse tipo de solução”, disse Bertollo.
A divisão de gás também investiu em uma usina de biometano em Santa Catarina e conclui um segundo projeto no Paraná. O combustível é produzido a partir de resíduos e representa uma frente de diversificação dentro dos negócios de gás.
No primeiro semestre, a Energisa Distribuidora de Gás registrou EBITDA de R$ 109 milhões. O resultado corresponde a uma parcela do EBITDA consolidado da Energisa, que somou R$ 4,6 bilhões no período. Na comparação anual, o EBITDA do gás cresceu 60%, enquanto o avanço da holding foi de 1%.








