A preferência por Luiz Inácio Lula da Silva entre eleitores que recebem o Bolsa Família ou vivem com algum beneficiário caiu nas simulações de primeiro e segundo turno. O movimento aparece em uma pesquisa da Nexus realizada entre 4 e 7 de setembro, registrada no TSE sob o número BR-06790/2026.
No primeiro turno, Lula marcou 51% das intenções de voto nesse grupo, ante 70% em 27 de julho. Flávio Bolsonaro passou de 18% para 26% no mesmo intervalo. Para o segundo turno, a preferência por Lula recuou de 67% para 56%, enquanto Flávio avançou de 28% para 37%.
A pesquisa ouviu 2.002 eleitores. A margem de erro informada é de dois pontos para a amostra total e não necessariamente se aplica ao recorte formado por beneficiários e familiares.
O levantamento não permite concluir que todos os eleitores que deixaram de escolher Lula tenham migrado para Flávio. A oscilação já havia aparecido no início de agosto, quando Lula passou de 70% para 58% entre esse público, e Flávio, de 18% para 23%.
Benefício sem reajuste previsto
O Bolsa Família mantém desde 2023 o valor mínimo de 600 reais. Na proposta de Orçamento de 2027 enviada pelo governo ao Congresso, não há previsão de reajuste. O projeto reserva 157,1 bilhões de reais para o programa, abaixo dos 158,6 bilhões previstos para este ano.
Flávio também passou a abordar o programa em sua campanha. Em agosto, incluiu uma proposta de “porta de saída”, segundo a qual o beneficiário deixaria o Bolsa Família ao conseguir emprego e poderia retornar se voltasse a ficar desempregado após o seguro-desemprego.
Durante uma agenda de campanha em Alagoas, dias depois, Flávio afirmou que pretende manter o Bolsa Família para quem precisa do benefício. A mensagem reúne a defesa da continuidade do programa e uma proposta de entrada dos beneficiários no mercado de trabalho.
Os dados mostram que o eleitorado ligado ao Bolsa Família está menos concentrado em Lula do que estava pouco mais de um mês antes. A mudança ocorre enquanto o valor mínimo permanece sem reajuste previsto e Flávio procura reduzir a resistência entre beneficiários de programas sociais.







