A diretora de televisão Amora Mautner avalia que, com o avanço da inteligência artificial, o diferencial humano estará menos na execução e mais na capacidade de abstrair, selecionar referências e criar de forma original. Para ela, repertório e singularidade são elementos pessoais que não podem ser substituídos pela tecnologia.
Em conversa com Nilton Bonder, Amora também relacionou sua formação à infância. Filha de Jorge Mautner, ela cresceu no Leblon e diz ser uma “filha do tropicalismo”. Antes de decidir pela direção, reorganizava os móveis de casa, criava cenários e lia quadrinhos. A diretora compara a linguagem dos quadrinhos ao storyboard e afirma que seu trabalho leva essa estrutura para as histórias com emoção.
Da assistência à direção de novelas
Amora começou a carreira nos anos 90, ao lado de Preta Gil, como assistente de arte e figurino da produtora Conspiração. Depois, chegou à Globo como estagiária de assistência de direção, em Curicica, após procurar Roberto Talma com incentivo de sua analista.
A diretora passou a integrar a equipe de O Cravo e a Rosa, em 2000. Em 2012, assumiu a direção-geral de Avenida Brasil. Atualmente, dirige artisticamente Quem Ama Cuida, novela das nove da emissora.
Ao falar sobre o processo de produção, Amora reforçou que o audiovisual depende do trabalho coletivo e da relação entre diferentes profissionais. Ela citou Paulo José, Walter Avancini e Roberto Talma como influências. Segundo a diretora, a construção de uma novela começa na sinopse e exige trabalho conjunto com os autores. “Eu respeito muito a hierarquia do texto”, disse.
Amora também destacou a importância da química entre direção e elenco. Para ela, a relação com os atores pode mudar o resultado de uma produção, assim como a combinação entre os integrantes de uma equipe amplia o trabalho.
Liderança e personagens complexos
Questionada sobre os desafios de comandar uma equipe como mulher, Amora afirmou: “O principal desafio de ser líder e mulher é ser mulher num mundo de homens.” Ela disse que ainda existe uma expectativa de que mulheres apaziguem conflitos e suavizem situações.
A diretora contou ainda que passou a enxergar a falta como uma possibilidade de criação. Na visão dela, frustrações e ausências podem abrir espaço para novas ideias. Essa perspectiva também aparece na construção dos personagens, que não seriam totalmente bons ou maus. Para Amora, a televisão permite desenvolver histórias mais complexas do que as oferecidas pela internet.







