Jensen Huang, CEO da Nvidia, afirmou que as empresas de inteligência artificial já estão sujeitas às leis existentes e que o debate sobre novos marcos regulatórios não deve servir para afastar responsabilidades por danos causados por seus produtos.
Em entrevista, Huang rejeitou a previsão de que a tecnologia levará à extinção da humanidade até 2030. “2030 não será o fim do mundo. Há 0% de chance de que seja o fim do mundo”, disse. Para ele, as especulações sobre a destruição da humanidade não têm embasamento científico, embora os riscos do desenvolvimento da AI devam ser considerados.
Responsabilidade pelos produtos
O executivo associou as declarações apocalípticas de integrantes da OpenAI e da Anthropic a uma possível tentativa de obter proteção contra consequências legais relacionadas aos sistemas autônomos. Huang citou a defesa de uma freada no desenvolvimento da tecnologia feita por Dario Amodei, da Anthropic, e afirmou que o pedido pode estar ligado à busca por blindagem contra responsabilidades causadas pelos produtos.
“Eles não estão pedindo mais leis. Estão pedindo para serem isentos das leis que já existem, e acho que isso é um problema”, afirmou Huang.
O CEO da Nvidia defendeu que as regras atuais sejam aplicadas antes da criação de novas normas. Entre os exemplos mencionados por ele estão as leis que tratam de crimes cibernéticos. Huang também disse que o futuro de seu negócio depende da segurança e da confiabilidade dos produtos: se esse trabalho não continuar, o valor da empresa diminuirá.
As startups do setor, segundo Huang, estão mudando de laboratórios para empresas de produtos e serviços. OpenAI e Anthropic ampliam a capacidade computacional, enquanto investidores esperam aumento das receitas. Nesse cenário, ele ressaltou que existem leis de responsabilização pelos produtos.
Alertas sobre riscos e processos
Alex Karp, fundador da Palantir, apresentou uma avaliação semelhante. Para ele, o Governo dos EUA pode acabar nacionalizando grandes empresas de AI por causa das responsabilidades associadas aos riscos ilimitados da tecnologia.
Karp argumentou que a responsabilidade pelas próprias ações deveria ser a primeira linha de proteção. Também afirmou que empresas e pessoas já enfrentam processos relacionados à acusação de roubo de propriedade intelectual por sistemas de inteligência artificial.
Em outra entrevista, Karp acusou OpenAI e Anthropic de tentar criar dependência em relação a um futuro no qual teriam controle por meio de seus LLMs, com a propriedade intelectual de clientes sendo usada por esses sistemas.








