Contagem, Quarta-feira, 23 de setembro de 2026
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Casa da Don’Anna reabre palacete histórico para visitas e eventos em São Paulo

Restaurado a partir de 2015, imóvel em Campos Elíseos conserva elementos ligados à elite cafeeira e à arquitetura de Ramos de Azevedo.

Casa da Don’Anna reabre palacete histórico para visitas e eventos em São Paulo
Foto: Centro de Memória Unicamp/Wikimedia Commons

A Casa da Don’Anna voltou a receber visitantes depois de uma restauração iniciada em 2015. O palacete, localizado em Campos Elíseos, mantém jardins, vitrais, pisos e ambientes associados à residência de uma família ligada à economia do café. Hoje, o imóvel funciona como espaço cultural com visitas mediante agendamento, além de sediar eventos e atividades de diferentes tipos.

Da residência familiar ao espaço cultural

O casarão permaneceu como moradia até os anos 1980. As duas filhas de Anna Silva Teles e Octaviano Alves de Lima Filho deixaram São Paulo nessa época, depois da morte do casal, ocorrida na década de 1970. O mobiliário e os objetos da casa foram então distribuídos entre as herdeiras.

Luis Eduardo Alves de Lima, um dos dois únicos netos da família e atual proprietário, assumiu a gestão do imóvel a partir de 2015. O trabalho começou com intervenções no telhado e nas instalações elétricas e hidráulicas. Como a fachada havia sido tombada pelos órgãos de patrimônio municipal e estadual na década de 2010, a recuperação buscou também reconstituir características dos interiores.

A escadaria tem estrutura metálica e revestimentos de mármore de Carrara e calacata. Os vitrais e os pisos passaram por técnicas de recomposição. O acervo atual reúne objetos preservados da família, como louças, enxovais e peças de vestuário, além de móveis, cadeiras e quadros comprados em antiquários.

“Outra parcela expressiva, composta por móveis, cadeiras e quadros, foi adquirida em antiquários para restabelecer a atmosfera de forma fiel às minhas lembranças da infância na casa dos meus avós”, afirma Luis.

O jardim conserva espécies centenárias, entre elas jabuticabeiras. Algumas áreas foram adaptadas para eventos e circulação, com reforma dos banheiros e instalação de rampas e elevadores.

Uma casa ligada ao ciclo do café

A construção foi encomendada por Antônio Carlos da Silva Teles como presente de casamento para a filha, Anna, que se casou com Octaviano Alves de Lima Filho. A família Alves de Lima, originária de Tietê, atuava no cultivo e na produção de café no interior paulista. Já os Silva Teles trabalhavam como comissários, administrando crédito e a comercialização entre produtores e mercados exportadores.

Os negócios também envolveram deslocamentos entre São Paulo e Buenos Aires. No fim do século 19, uma geada e o cenário econômico afetaram a produção no interior de São Paulo, levando operações do Café Paulista para a capital argentina.

A residência foi planejada entre 1912 e 1914 pelo escritório do engenheiro-arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (1851-1928). Campos Elíseos era formado por grandes lotes, infraestrutura urbana e casas isoladas com jardins. Para Beatriz Piccolotto Siqueira Bueno, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), o bairro foi “o primeiro bairro moderno de São Paulo, destinado às elites paulistanas”.

A área concentrava parte da elite cafeeira antes de a Avenida Paulista e Higienópolis se firmarem como eixos residenciais. O nome Campos Elíseos remetia ao Champs-Élysées parisiense, referência presente na formação da paisagem local, segundo Raquel Schenkman, arquiteta, urbanista e ex-presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil - São Paulo (IABsp).

Materiais e transformações do palacete

A casa segue uma linguagem eclética e foi construída provavelmente com tijolos portantes, sem o uso de concreto. Os ambientes internos eram separados por função, com salas de estar, recepção, música, biblioteca e áreas de serviço distintas. O pavimento superior abrigava a parte íntima da família, enquanto banheiros dedicados e closets atualizavam o uso doméstico.

Entre os elementos de acabamento estão a escadaria de mármore de Carrara e os vitrais atribuídos ao ateliê de Conrado Sorgenicht (1836-1901), responsável pela Casa Conrado. O mobiliário e outros ornamentos podem ter relação com o Liceu de Arte de Ofícios, instituição próxima de Ramos de Azevedo.

O projeto compartilha características com o Theatro Municipal, inaugurado em 1911, como a escadaria de mármore e a combinação de pastilhas cerâmicas com tacos de madeira. Após a morte de Ramos de Azevedo, em 1928, seu escritório continuou atuando por meio de Ricardo Severo (1869-1940) e Arnaldo Dumont Villares (1888-1965).

Na década de 1940, Jacques Pilon (1905-1962) conduziu uma intervenção que simplificou ornamentos externos, sem modificar a organização dos espaços. Renomeado em homenagem a Anna, o imóvel abrigou um coworking de 2018 até 2020. Desde a reabertura após a pandemia de Covid-19, recebe visitas agendadas, eventos culturais e institucionais, ativações gastronômicas, ensaios fotográficos e produções audiovisuais.

Texto produzido pela Redação Lar em Pauta com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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